- Relator(a)
- Cristiano Zanin
- Órgão julgador
- Primeira Turma
- Data do julgamento
- 25/02/2026
- Data de publicação
- 02/03/2026
STF – HC 267.198, Rel. Cristiano Zanin, Primeira Turma, j. 25/02/2026, p. 02/03/2026
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR SANÇÃO RESTRITIVA DE DIREITOS. INVIABILIDADE NO CASO. MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Caso em exame 1. Paciente condenado à pena de 2 anos e 8 meses, em regime inicial semiaberto, pela prática do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14 da Lei n. 10.826/2003). 2. Busca-se a substituição da pena privativa de liberdade por sanção restritiva de direitos. II. Questão em discussão 3. Analisar se, no caso, é possível substituir a pena privativa de liberdade do paciente por restritiva de direitos. III. Razões de decidir 4. O art. 44 do Código Penal — CP dispõe que as penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (i) aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (ii) o réu não for reincidente em crime doloso; (iii) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. 5. Nas hipóteses de aplicação de pena privativa de liberdade não superior a 4 anos para crimes que não foram cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, deverá o juízo processante manifestar-se, de modo fundamentado, se será ou não o caso de substituição da sanção corporal pela pena restritiva de direitos (vide HC 94.874/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 12/12/2008). 6. No caso, observa-se que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul — TJRS, ao julgar a apelação, manteve a negativa de substituição da pena fundamentando-se nos incisos II e III do art. 44 do Código Penal, em razão de o paciente ser reincidente e possuir maus antecedentes. Com efeito, ao contrário do que sustenta a defesa, o acórdão de segunda instância, além de devidamente fundamentado, encontra-se em consonância com a reiterada jurisprudência desta Suprema Corte sobre a matéria. 7. Em casos como tais, consoante doutrina e jurisprudência desta Suprema Corte, a substituição da reprimenda é apenas uma possibilidade colocada à disposição do magistrado sentenciante, se assim o caso recomendar, e não um direito subjetivo do condenado, tal como dispõe o § 3º do art. 44 do Código Penal. IV. Dispositivo 8. Agravo regimental a que se nega provimento. (HC 267198 AgR, Relator(a): CRISTIANO ZANIN, Primeira Turma, julgado em 25-02-2026, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 27-02-2026 PUBLIC 02-03-2026)
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