- Relator(a)
- Ministro Antonio Saldanha Palheiro
- Órgão julgador
- Sexta Turma
- Data do julgamento
- 25/09/2023
- Data de publicação
- 28/09/2023
STJ – Acórdão, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, j. 25/09/2023, p. 28/09/2023
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. NULIDADE. INVASÃO DE DOMICÍLIO. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE n. 603.616/RO, submetido à sistemática da repercussão geral, firmou o entendimento de que a "entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados". 2. O Ministro Rogerio Schietti Cruz, ao discorrer acerca da controvérsia objeto desta irresignação no REsp n. 1.574.681/RS, bem destacou que "a ausência de justificativas e de elementos seguros a legitimar a ação dos agentes públicos, diante da discricionariedade policial na identificação de situações suspeitas relativas à ocorrência de tráfico de drogas, pode fragilizar e tornar írrito o direito à intimidade e à inviolabilidade domiciliar" (Sexta Turma, julgado em 20/4/2017, DJe 30/5/2017). 3. No caso em tela, os agentes policiais alegaram ter abordado agente suspeito de praticar mercancia ilícita de entorpecentes, com quem nada foi encontrado, o que motivou a solicitação para a moradora de uma residência que autorizou o ingresso, onde novamente nada foi encontrado, mas, dado haver uma residência contígua cujo proprietário não se encontrava, os agentes a invadiram, tendo sido apreendidos no local 55g (cinquenta e cinco gramas) de cocaína e 246g (duzentos e quarenta e seis gramas) de maconha. 4. Como visto, a despeito de nada ter sido encontrado em poder do agravado, ainda assim os agentes policiais solicitaram autorização para ingresso em uma primeira residência, o que lhes foi permitido e, novamente, nada encontrado, resultando na invasão desautorizada de uma segunda residência, em clara extrapolação dos limites legais previstos para tal diligência. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 180.728/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023.)
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