JurisprudênciaIA

Tribunal Superior do Trabalho

Recurso de Revista 1001538-06.2018.5.02.0028

Relator(a)
Alexandre de Souza Agra Belmonte
Órgão julgador
8ª Turma
Data do julgamento
24/08/2022
Data de publicação
26/08/2022

TST – Recurso de Revista 1001538-06.2018.5.02.0028, Rel. Alexandre de Souza Agra Belmonte, 8ª Turma, j. 24/08/2022, p. 26/08/2022

Ementa

EMENTA: RECURSO DE REVISTA. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 791-A, § 4º, DA CLT DECLARADA PELO STF. ADI 5.766/DF. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA. O recurso oferece transcendência jurídica, nos termos do artigo 896-A, § 1º, IV, da CLT. No julgamento da ADI 5.766/DF, o STF declarou, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, a inconstitucionalidade do artigo 791-A, § 4º, da CLT. A previsão de pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais, no caso de beneficiário da justiça gratuita, mitiga o exercício dos direitos fundamentais à assistência judiciária gratuita e ao acesso à justiça, além de provocar o esvaziamento do interesse dos trabalhadores em demandar na Justiça do Trabalho, diante da pouca perspectiva de retorno, em nítida violação do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal. Todavia, à parte sucumbente, ainda que beneficiária da justiça gratuita, é imputada a obrigação legal de arcar com os encargos processuais, o que não se confunde com a imediata exigibilidade no cumprimento da obrigação. Assim, de acordo com a nova sistemática, a obrigação ficará então com a exigibilidade suspensa pelo prazo de dois anos (adotando-se a regra constante na CLT - art. 790-A, § 4º) ou pelo prazo de cinco anos (pela regra do art. 98, § 3º, do CPC). Se o credor provar o esvaziamento da condição suspensiva de exigibilidade da obrigação de pagar honorários sucumbenciais, será admitida a cobrança das custas e despesas processuais, dentro dos referidos prazos. Permanecendo a condição de hipossuficiência sem contraprova do credor, a obrigação ficará definitivamente extinta após tal prazo. À luz, portanto, da declaração de inconstitucionalidade IN TOTUM do §4º do art. 791-A da CLT, cabe ao intérprete uma das seguintes soluções: a) excluir da condenação a verba honorária, quando o reclamante for beneficiário da justiça gratuita, tornando-o isento de tal pagamento; b) manter a condenação aos honorários sucumbenciais ao beneficiário da justiça gratuita, vedando-se, contudo, a exigibilidade imediata do pagamento ou o abatimento/compensação com qualquer crédito obtido em juízo, ficando a obrigação sob condição suspensiva pelo prazo de dois anos (CLT) ou cinco anos (CPC), cabendo ao credor da verba honorária a comprovação de superação do estado de miserabilidade dentro do referido prazo, sob pena de extinção da obrigação. Na hipótese dos autos , o Tribunal Regional consignou que " Quanto aos honorários sucumbenciais, diga-se que até a distribuição da presente demanda ocorreu na vigência da Lei 13.467/2017 (11/11/2017), pelo que aplicável o art. 791-A, da CLT, ainda que a autora seja beneficiária da justiça gratuita. No caso, o Juízo de origem, em face da sucumbência recíproca das partes, fixou o percentual de 10% sobre o valor estimado dos pedidos nos quais a reclamante restou sucumbente, em prol dos advogados da reclamada. Além disso, não há qualquer violação aos princípios constitucionais da isonomia, ampla defesa, do devido processo legal e da inafastabilidade da jurisdição. O dispositivo legal em questão goza de presunção de constitucionalidade e encontra-se em consonância com o ordenamento jurídico vigente. De resto, não há falar-se, por ora, em aplicação do disposto no art. 791-A, §4º, da CLT, já que a reclamante tem créditos a receber no presente processo" O decisum regional merece reparo, a fim de que adequá-lo ao entendimento descrito na alínea "b" anteriormente mencionada, no sentido de vedar qualquer compensação/abatimento em créditos obtidos em juízo (ainda que em outro processo). Recurso de revista conhecido por violação do art. 5º, LXXIV, da CR e parcialmente provido. (Tribunal Superior do Trabalho (8ª Turma). Acórdão: 1001538-06.2018.5.02.0028. Relator(a): ALEXANDRE DE SOUZA AGRA BELMONTE. Data de julgamento: 24/08/2022. Juntado aos autos em 26/08/2022.)
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