- Relator(a)
- Ministra Daniela Teixeira
- Órgão julgador
- Quinta Turma
- Data do julgamento
- 03/12/2024
- Data de publicação
- 26/12/2024
STJ – Acórdão, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, j. 03/12/2024, p. 26/12/2024
DIREITO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO SIMPLES. DOSIMETRIA DA PENA. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. GRAVIDADE ABSTRATA DO DELITO. INVIABILIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO GENÉRICA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 718 E 719 DO STF E SÚMULA 440 DO STJ. REGIME ABERTO ADEQUADO. PARECER FAVORÁVEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. AGRAVO CONHECIDO E RECURSO ESPECIAL PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que manteve o regime inicial fechado para o cumprimento de pena em condenação pelo crime de roubo, com pena fixada em quatro anos de reclusão. O Tribunal de origem justificou o regime mais gravoso com base na gravidade abstrata do delito e na periculosidade do réu, sem elementos concretos que indicassem maior reprovação. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em definir se é legítima a imposição de regime inicial fechado para o cumprimento da pena quando a pena-base foi fixada no mínimo legal, o réu é primário, e a justificativa do regime mais severo se baseia apenas em considerações genéricas sobre a gravidade abstrata do delito. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça veda a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível pela pena imposta, com base unicamente na gravidade abstrata do delito, conforme estabelece a Súmula 440 do STJ e os enunciados das Súmulas 718 e 719 do STF. 4. Na análise do caso, verifica-se que o Tribunal a quo manteve o regime inicial fechado com base em fundamentos genéricos sobre a gravidade do crime, sem apresentar elementos concretos que justificassem a escolha do regime mais rigoroso, configurando constrangimento ilegal. 5. Sendo o réu primário e tendo a pena-base sido fixada no mínimo legal, com ausência de circunstâncias judiciais desfavoráveis, a fixação de regime inicial mais gravoso revela-se desproporcional e não se sustenta diante dos critérios estabelecidos no art. 33, § 2º, alínea b, e § 3º, do Código Penal. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (AREsp n. 2.646.989/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/12/2024, DJEN de 26/12/2024.)
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