JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Relator(a)
Ministro Joel Ilan Paciornik
Órgão julgador
Quinta Turma
Data do julgamento
04/03/2026
Data de publicação
09/03/2026

STJ – Acórdão, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 04/03/2026, p. 09/03/2026

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto pela Defensoria Pública da União contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor do agravante, condenado à pena de 10 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 1.496 dias-multa, pela prática dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, previstos nos artigos 33, caput, e 35 da Lei n. 11.343/2006. 2. A decisão monocrática não conheceu do habeas corpus, fundamentando-se na impossibilidade de revolvimento do conjunto fático-probatório na via estreita do writ, e na existência de elementos concretos que demonstram a participação do agravante na traficância e o vínculo estável e permanente entre os agentes para a prática do crime de associação para o tráfico. 3. No agravo regimental, a defesa alegou que a condenação do agravante foi baseada exclusivamente em presunções derivadas de depoimentos policiais, divergências entre as versões dos corréus e na reincidência específica, sem produção de prova idônea da autoria delitiva. Sustentou que o corréu Fernando assumiu a propriedade da droga apreendida e que o agravante seria mero usuário, presente na residência apenas para adquirir entorpecente. Reiterou a inexistência de elementos que comprovem vínculo estável e permanente entre o agravante e os demais acusados. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus, por entender que a condenação estava lastreada em provas suficientes, deve ser reformada para absolver o agravante por ausência de materialidade ou insuficiência probatória. 5. Outra questão em discussão é se a decisão monocrática deixou de considerar novos elementos de prova e argumentos apresentados na revisão criminal, que poderiam impactar a análise da materialidade e autoria dos crimes imputados. III. RAZÕES DE DECIDIR 6. As instâncias ordinárias ofereceram elementos robustos de prova para a condenação do agravante, incluindo monitoramento policial por duas semanas, apreensão de grande quantidade de drogas, petrechos utilizados na traficância e depoimentos dos policiais envolvidos na investigação. 7. A decisão monocrática não foi reformada, pois não se verificou flagrante ilegalidade que justificasse a concessão do habeas corpus, sendo inviável o reexame de fatos e provas nesta via. 8. A alegação de ausência de vínculo estável e permanente entre os agentes foi afastada, pois as instâncias ordinárias consignaram elementos concretos que evidenciam a divisão de tarefas e a atuação coordenada dos corréus na prática do crime de associação para o tráfico. 9. A validade dos depoimentos prestados pelos policiais encontra respaldo na jurisprudência consolidada dos tribunais superiores, que reconhecem a presunção de veracidade dos testemunhos de agentes públicos, salvo demonstração de má-fé ou contradição com outros elementos de prova. IV. DISPOSITIVO E TESE 10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido. Tese de julgamento: 1. A condenação por tráfico de drogas e associação para o tráfico pode ser mantida quando lastreada em provas robustas, como monitoramento policial, apreensão de drogas e depoimentos de agentes públicos. 2. O reexame de fatos e provas é inviável na via do habeas corpus, salvo flagrante ilegalidade. 3. A tipificação do crime de associação para o tráfico exige a demonstração de vínculo estável e permanente entre os agentes, não bastando a mera reunião ocasional para a prática do delito. Dispositivos relevantes citados:Lei n. 11.343/2006, arts. 33 e 35; CPP, art. 386, incisos V e VII. Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC 999.090/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/6/2025, DJEN de 26/6/2025; STJ, AgRg no HC 958.083/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 24/2/2025. (AgRg no HC n. 1.042.733/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 4/3/2026, DJEN de 9/3/2026.)
Consultar o inteiro teor no site do STJ ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 04/03/2026

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. ESTABILIDADE E PERMANÊNCIA DO VÍNCULO ASSOCIATIVO. REEXAME DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ. 2. Os agravantes foram condenados pela prática dos crimes previstos nos arts. 33 e 35 da Lei nº 11.343/2006, …

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 04/03/2026

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO MONOCRÁTICO. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ABSOLVIÇÃO. REEXAME DE PROVAS. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu da impetração de habeas corpus e deixou de conceder a ordem de ofício, por entender ausente constrangimento ileg…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 04/03/2026

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ABSOLVIÇÃO. REEXAME DE PROVAS. DOSIMETRIA DA PENA. EXASPRAÇÃO DA PENA-BASE. QUANTIDADE DE DROGA APREENDIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus e deixou de conceder a ordem de ofício, por entender ausente constrangimento ilegal. A defesa alegou insuficiência de provas para fundamentar a co…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 04/03/2026

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO DE DROGAS. REVISÃO CRIMINAL. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão da Presidência do STJ que indeferiu liminarmente habeas corpus, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210 do RISTJ. 2. O agravante foi condenado à pena de 4 anos e 1 mês de reclusão, em regime inicial semiaberto, e 952 dias-multa,…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 04/03/2026

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com pena de 9 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão em regime inicial fechado e 1.380 dias-multa. 2. A defesa alegou ausência de prov…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.