JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Relator(a)
Ministro Messod Azulay Neto
Órgão julgador
Quinta Turma
Data do julgamento
03/02/2026
Data de publicação
10/02/2026

STJ – Acórdão, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 03/02/2026, p. 10/02/2026

Ementa

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 7 E 83, STJ. SÚMULAS N. 282 E 356, STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo em recurso especial para não conhecer do recurso especial. O agravante foi condenado por infração aos arts. 241-A, caput, e 241-B, caput, da Lei n. 8.069/1990, com extinção da punibilidade em relação ao art. 241-B, caput, e manutenção da condenação pelo art. 241-A, caput, da mesma lei. O Tribunal Regional negou provimento à apelação defensiva e manteve a sentença condenatória. Embargos de declaração foram rejeitados. O recurso especial foi inadmitido na origem com base nas Súmulas n. 7 e 83, STJ. No agravo regimental a defesa busca afastar os óbices processuais que impediram o conhecimento do recurso especial. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há três questões em discussão: (i) saber se a ausência de informação ao direito ao silêncio (Aviso de Miranda) configura nulidade do processo; (ii) saber se a ausência de dolo na conduta do agravante impede a condenação pelo crime previsto no art. 241-A da Lei n. 8.069/1990; e (iii) saber se há impossibilidade de reconhecimento da continuidade delitiva em razão da ausência de elemento subjetivo quanto aos crimes subsequentes. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A ausência de prequestionamento nas instâncias antecedentes quanto às alegações de nulidade do processo e continuidade delitiva justifica a aplicação das Súmulas n. 282 e 356, STF. 4. A ausência de impugnação específica ao fundamento da decisão agravada enseja a aplicação da Súmula n. 182, STJ. 5. A legislação processual penal não exige que os policiais informem o abordado sobre o direito ao silêncio no momento da abordagem, sendo tal prática obrigatória apenas nos interrogatórios policial e judicial, conforme entendimento consolidado na Súmula n. 83, STJ. 6. A modificação do julgado para afastar a continuidade delitiva ou reconhecer a ausência de dolo exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7, STJ. 7. O Ministério Público Federal reforçou os fundamentos da decisão agravada, destacando a preclusão temporal quanto à tese da nulidade do processo, a caracterização do dolo no caso concreto e a impossibilidade de afastar a continuidade delitiva sem reanálise do conjunto fático-probatório. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. A ausência de prequestionamento nas instâncias antecedentes impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas n. 282 e 356, STF. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada enseja a aplicação da Súmula n. 182, STJ. 3. A legislação processual penal não exige que os policiais informem o abordado sobre o direito ao silêncio no momento da abordagem, sendo tal prática obrigatória apenas nos interrogatórios policial e judicial. 4. A modificação de julgado que implique reexame de matéria fático-probatória é vedada em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7, STJ.Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, III, "a"; CPP, arts. 157, §1º, 186, 386, III e IV, 564, IV; CP, arts. 18, I, 71; ECA, arts. 241-A, caput, e 241-B, caput. Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg nos EDcl no REsp 2.110.922/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 07.05.2024; STJ, AREsp 2.390.261/PA, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17.12.2024; STJ, AgRg no REsp 1.492.472/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04.10.2018; STJ, AREsp 2123334/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 20.06.2024. (AgRg no AREsp n. 2.818.645/RS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 3/2/2026, DJEN de 10/2/2026.)
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