JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Relator(a)
Ministra Maria Marluce Caldas
Órgão julgador
Quinta Turma
Data do julgamento
17/03/2026
Data de publicação
24/03/2026

STJ – Acórdão, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, j. 17/03/2026, p. 24/03/2026

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DO ART. 217-A DO CÓDIGO PENAL. PLEITOS DE ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA, DESCLASSIFICAÇÃO PARA IMPORTUNAÇÃO SEXUAL, REVISÃO DA DOSIMETRIA E DO REGIME INICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7/STJ E DO ART. 33, § 2º, "A", DO CÓDIGO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu de agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento, mantendo a condenação pelo crime previsto no art. 217-A do Código Penal, afastando as teses de absolvição por insuficiência probatória e de desclassificação à luz da Súmula n. 7/STJ, bem como rejeitando a revisão da dosimetria da pena e do regime inicial de cumprimento, com fundamento no art. 33, § 2º, "a", do Código Penal. 2. A parte agravante sustenta a inaplicabilidade da Súmula n. 7/STJ às teses de absolvição por insuficiência probatória e de desclassificação para o crime de importunação sexual (art. 215-A do Código Penal), alegando tratar-se de revaloração jurídica de premissas fáticas fixadas pelas instâncias ordinárias, e não de revolvimento de provas. 3. Subsidiariamente, a parte agravante pleiteia: (i) redução da pena-base ao mínimo legal, com afastamento da valoração negativa das consequências do crime; (ii) fixação de regime inicial semiaberto, sob o argumento de que a redução conduziria a reprimenda definitiva em 8 anos de reclusão; (iii) determinação de juntada de prova nova e sua consideração no mérito ou retorno dos autos para produção complementar de provas. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se, em recurso especial, é possível reexaminar o conjunto fático-probatório para absolver o agravante por insuficiência de provas ou desclassificar a conduta do art. 217-A para o art. 215-A do Código Penal, a pretexto de mera revaloração jurídica de premissas fáticas já fixadas pelas instâncias ordinárias, afastando-se o óbice da Súmula n. 7/STJ. 5. Outra questão em discussão consiste em saber se a exasperação da pena-base pela vetorial "consequências do crime" é legítima, diante de graves sequelas psicológicas sofridas pela vítima, inclusive com necessidade de tratamento psiquiátrico e episódios de autolesão. 6. Por fim, discute-se se é possível fixar regime inicial de cumprimento de pena mais brando que o regime fechado, não obstante a pena definitiva superior a 8 anos, à luz do art. 33, § 2º, "a", do Código Penal. III. Razões de decidir 7. O Superior Tribunal de Justiça, nos termos da Constituição da República, tem competência para uniformizar a interpretação da lei federal, não lhe cabendo o reexame do conjunto fático-probatório formado nas instâncias ordinárias, de modo que a pretensão de absolvição por insuficiência de provas ou de desclassificação da conduta para importunação sexual esbarra no óbice da Súmula n. 7/STJ. 8. Concluir de forma diversa das instâncias ordinárias quanto à existência de provas suficientes para condenar, absolver ou desclassificar a imputação demandaria o cotejo e a reavaliação da prova produzida, providência vedada em sede de recurso especial. 9. Na análise da dosimetria, a vetorial "consequências do crime" foi corretamente valorada negativamente, pois as consequências ultrapassam a normalidade do tipo penal, evidenciadas pelas graves sequelas psicológicas suportadas pela vítima, que passou a necessitar de tratamento psiquiátrico em razão de autolesões, extrapolando o resultado típico do crime. 10. Quanto ao regime inicial, a pena definitiva foi estabelecida em 9 anos e 4 meses de reclusão, impondo-se, nos termos do art. 33, § 2º, "a", do Código Penal, o regime inicialmente fechado, de modo que as instâncias ordinárias observaram estritamente o comando legal. IV. Dispositivo 11. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 3.087.978/SP, relatora Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, julgado em 17/3/2026, DJEN de 24/3/2026.)
Consultar o inteiro teor no site do STJ ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 18/03/2026

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. CRIME DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. VALORAÇÃO NEGATIVA DAS CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. SÚMULAS Nº 7 E Nº 83 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do recurso especial, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil, c/c o art. 255, § 4º, II, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, em razão da incidênc…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca · j. 21/10/2025

PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ARTIGO 217-A DO CÓDIGO PENAL. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. ALEGADA INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. IMPOSSIBILIDADE. PALAVRA DA VÍTIMA. ESPECIAL RELEVÂNCIA. CORROBORADA POR OUTROS MEIOS DE PROVA. SÚMULA N. 83/STJ. REGIME PRISIONAL. PLEITO DE ABRANDAMENTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282/STF E 356/STF. REGIME INICIAL FECHADO. PENA DEFINITIVA S…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Carlos Pires Brandão · j. 11/03/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA POR OUTROS ELEMENTOS. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PRETENSÃO DE REVALORAÇÃO DA PROVA. DESCONSTITUIÇÃO DE PREMISSAS FÁTICAS. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao rec…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Carlos Cini Marchionatti · j. 05/08/2025

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL (ART. 217-A DO CP). DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE IMPORTUNAÇÃO SEXUAL (ART. 215-A DO CP). IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. RELEVÂNCIA DA PALAVRA DA VÍTIMA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, com fundamento na Súmula 7/STJ, conheceu do agravo para não conhecer do recu…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca · j. 10/03/2026

PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 215 DO CP. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DO ARTIGO 217-A, §1º, DO CP. REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. No presente caso, o juízo sentenciante e o Tribunal a quo, em decisão devidamente motivada, entenderam que, do caderno instrutório, emergiram elementos suficientemente idôneos de prova, colhidos nas fases inquisitorial e judicial, aptos a condena…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.