JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Relator(a)
Ministro Ribeiro Dantas
Órgão julgador
Quinta Turma
Data do julgamento
14/04/2026
Data de publicação
22/04/2026

STJ – Acórdão, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 14/04/2026, p. 22/04/2026

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. LEI N. 10.826/2003, ART. 20, II. DOSIMETRIA DA PENA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. PROIBIÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS (CPP, ART. 617). SÚMULA 231/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. O agravo regimental. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática que conheceu de agravo para negar provimento a recurso especial fundado em alegada violação ao art. 617 do Código de Processo Penal, em ação penal na qual o réu foi condenado, como incurso no art. 14 c/c o art. 20, II, da Lei n. 10.826/2003 (porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, com reincidência específica), à pena de 3 anos de reclusão e 15 dias-multa, em regime semiaberto, tendo sido absolvido do crime de lesão corporal grave por legítima defesa. 2. A insurgência defensiva. A parte agravante sustenta ocorrência de reformatio in pejus, porquanto, em recurso exclusivo da defesa, o tribunal de origem teria mantido a causa de aumento de pena relativa à reincidência específica prevista no art. 20, II, da Lei n. 10.826/2003, após reclassificar circunstâncias na dosimetria, e requer, subsidiariamente, o afastamento dessa causa de aumento, com fixação da pena definitiva em 2 anos de reclusão e 10 dias-multa. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se a reclassificação, pelo tribunal de origem, das circunstâncias consideradas na dosimetria, com afastamento da agravante genérica de reincidência na segunda fase e manutenção da reincidência específica como causa de aumento na terceira fase (Lei n. 10.826/2003, art. 20, II), em recurso exclusivo da defesa, configura reformatio in pejus vedada pelo art. 617 do CPP, especialmente quando a pena intermediária permanece fixada no mínimo legal pela incidência da Súmula 231/STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. O art. 617 do Código de Processo Penal veda o agravamento da situação do réu em recurso exclusivo da defesa, mas a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça admite a reclassificação de circunstâncias na dosimetria, desde que a pena final não seja majorada ou seja até reduzida. 5. No caso concreto, a pena intermediária foi mantida no mínimo legal em virtude da Súmula 231/STJ, que impede a redução da pena aquém desse patamar em razão de circunstâncias atenuantes, de modo que a reorganização das fases da dosimetria não resultou em aumento da pena definitiva fixada na sentença de primeiro grau. 6. A reclassificação procedida pelo tribunal de origem, consistente no afastamento da agravante genérica de reincidência na segunda fase, com manutenção da reincidência específica como causa de aumento na terceira fase (art. 20, II, da Lei n. 10.826/2003), decorre da aplicação do princípio da especialidade e não configura reformatio in pejus, porque não houve agravamento da situação final do condenado. 7. A decisão reafirma entendimento desta Corte Superior no sentido de que a correção da classificação de fato já valorado negativamente e o ajuste técnico da dosimetria, sem elevação da pena final, são compatíveis com a vedação de reformatio in pejus em recurso exclusivo da defesa. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental a que se nega provimento, mantendo-se a decisão monocrática e a dosimetria fixada pelo tribunal de origem. Tese de julgamento: 1. A reclassificação das circunstâncias consideradas na dosimetria, com afastamento da agravante genérica e manutenção de causa de aumento específica prevista em lei especial, não configura reformatio in pejus em recurso exclusivo da defesa quando não há aumento da pena final. 2. A incidência da Súmula 231/STJ, que impede a redução da pena abaixo do mínimo legal em razão de atenuantes, legitima a manutenção da pena intermediária nesse patamar, ainda que haja reorganização das fases da dosimetria pelo tribunal de origem. 3. O princípio da especialidade autoriza privilegiar a reincidência específica prevista no art. 20, II, da Lei n. 10.826/2003 em relação à agravante genérica de reincidência, desde que respeitada a vedação de agravamento da situação do réu em recurso exclusivo da defesa. Dispositivos relevantes citados: Lei n. 10.826/2003, arts. 14 e 20, II; CPP, art. 617; Súmula 231/STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 2.058.971/MG, rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 28.08.2024, DJe 12.09.2024. (AgRg no AREsp n. 3.152.211/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14/4/2026, DJEN de 22/4/2026.)
Consultar o inteiro teor no site do STJ ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior · j. 11/03/2026

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO (ART. 12 DA LEI N. 10.826/2003). ATIPICIDADE. CONCEITO DE RESIDÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTOS. VEDAÇÃO À REFORMATIO IN PEJUS. ENQUADRAMENTO TÍPICO MAIS GRAVE (ART. 14). FUNDAMENTO AUTÔNOMO E SUFICIENTE NÃO IMPUGNADO NO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 283/STF. 1. A subsistência de fundamento autônomo e suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, não impugnad…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Leopoldo de Arruda Raposo · j. 01/10/2019

PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. POSSE DE ARMA. MODALIDADE DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. AUSÊNCIA DE REFORMATIO IN PEJUS. DISCRICIONARIEDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO DESPROVIDO. I - A proibição contida no art. 617 do Código de Processo Penal impede o agravamento da pena imposta ao réu quando somente ele houver apelado da sentença condenatória. No entanto, o efeito devolutivo da apelação permite a reapreciação das circunstânci…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministra Daniela Teixeira · j. 17/12/2024

DIREITO PENAL. RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA DA PENA. VETORIAIS VALORADAS DE FORMA IDÔNEA. REFORMATIO IN PEJUS. INEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE DE REFORÇO ARGUMENTATIVO. VALORAÇÃO NEGATIVA DE CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REDUÇÃO PROPORCIONAL DA PENA-BASE. NECESSIDADE. PEDIDO DE FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL ABERTO. IMPOSSIBILIDADE. RÉU REINCIDENTE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO para redimensionar a pena do réu para 02 anos e 02 meses de reclusão, em regime i…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 14/04/2026

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA. PENA INFERIOR A 4 ANOS. REINCIDÊNCIA E CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL NEGATIVA. FUNDAMENTOS IDÔNEOS PARA IMPOSIÇÃO DO REGIME INICIAL FECHADO. AGRAVO IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. O agravo regimental. Agravo regimental interposto pela parte agravante contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheceu do agravo …

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 20/09/2018

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (ART. 12 DA LEI 10.826/2003). POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO (ART. 16, LEI 10.826/2003). CRIMES DE MESMA ESPÉCIE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Prevalece em ambas as Turmas que compõem a 3ª Seção desta Corte, o entendimento de que a reincidência específica se caracteriza pela prática de dois ou mais crimes da mesma espécie, assim considerados aq…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.