JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Data do julgamento
05/05/2026
Data de publicação
12/05/2026

STJ – Acórdão, j. 05/05/2026, p. 12/05/2026

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO-QUALIFICADO. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. DOSIMETRIA DA PENA. FRAÇÃO DA MINORANTE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, ao conhecer de agravo em recurso especial, não conheceu do recurso especial e indeferiu pedido de concessão de habeas corpus de ofício.2. Fato relevante. Na origem, o agravante foi condenado pelo Tribunal do Júri pela prática dos crimes previstos no art. 121, §§ 1º e 2º, IV, do Código Penal, e no art. 14 da Lei n. 10.826/2003, à pena total de 12 anos de reclusão e 10 dias-multa, em regime inicial fechado, tendo o Juiz Presidente aplicado a causa de diminuição do homicídio privilegiado no patamar mínimo de 1/6, por entender não demonstrada a intensidade da violenta emoção reconhecida pelo Conselho de Sentença.3. As decisões anteriores. O Tribunal de Justiça estadual negou provimento à apelação defensiva, mantendo a fração de 1/6 na causa de diminuição, preservando a condenação pelo porte ilegal de arma e afastando a consunção em razão da autonomia e anterioridade do porte em relação ao homicídio. O recurso especial interposto pelas alíneas a e c do art. 105, III, da Constituição foi inadmitido na origem com fundamento na Súmula 7/STJ e na prejudicialidade da alínea c. No agravo em recurso especial, a defesa sustentou tratar-se de revaloração jurídica, o que foi afastado na decisão monocrática ora agravada, que reafirmou a incidência da Súmula 7/STJ, reconheceu a ausência de cotejo analítico para a divergência e rejeitou a concessão de habeas corpus de ofício por ausência de flagrante ilegalidade.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se, na via estreita do recurso especial, é possível revisar o quantum de redução aplicado à causa de diminuição do homicídio privilegiado, sob o argumento de que o Conselho de Sentença teria reconhecido a emoção e a provocação em grau máximo, ou se tal pretensão esbarra no óbice da Súmula 7/STJ.5. Outra questão em discussão consiste em saber se é juridicamente possível reconhecer, como matéria exclusivamente de direito, a consunção do porte ilegal de arma de fogo pelo homicídio qualificado, apesar das instâncias ordinárias terem afirmado a autonomia e a anterioridade do porte em relação ao crime contra a vida.6. Também se discute se foi demonstrada, de forma adequada, a divergência jurisprudencial pela alínea c do art. 105, III, da Constituição, mediante cotejo analítico nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e do art. 255, § 1º, do RISTJ, bem como se o óbice da Súmula 7/STJ na alínea a prejudica o exame da alínea c.7. Por fim, discute-se se estariam presentes flagrantes ilegalidades na dosimetria aptas a justificar a concessão de habeas corpus de ofício, notadamente quanto à fixação da pena-base, à aplicação da fração mínima da minorante e à ausência de outras reduções pretendidas pela defesa.III. RAZÕES DE DECIDIR 8. O reconhecimento, pelo Conselho de Sentença, da existência da causa de diminuição prevista no art. 121, § 1º, do Código Penal não vincula o juiz presidente quanto à intensidade da violenta emoção ou à extensão da injusta provocação, cabendo-lhe, à luz do conjunto probatório, modular a fração de redução entre 1/6 e 1/3.9. No caso concreto, a aplicação da fração mínima de 1/6 foi fundamentada em elementos colhidos em plenário, especialmente no interrogatório em que o acusado afirmou não recordar com clareza a dinâmica dos fatos e não confirmou com segurança a injusta provocação, de modo que a pretensão de alterar a fração demandaria reexame de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ.10. A moldura fática firmada pelo acórdão recorrido, inclusive com base em confissão do agravante, evidenciou que a arma utilizada no homicídio fora adquirida em outro país e portada por semanas antes do delito, em razão de tentativa anterior de assalto, o que afasta a relação de meio e fim necessária à consunção com o homicídio e demonstra ofensa autônoma ao bem jurídico tutelado pela Lei n. 10.826/2003.11. Rever a conclusão de autonomia e anterioridade do porte em relação ao homicídio implicaria inevitável incursão no acervo fático-probatório e confronto com o veredicto do Conselho de Sentença, que reconheceu a aquisição e o porte da arma e rejeitou a absolvição, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ.12. A alegada divergência jurisprudencial não foi devidamente demonstrada, porquanto ausente o cotejo analítico exigido pelo art. 1.029, § 1º, do CPC e pelo art. 255, § 1º, do RISTJ, e, ademais, o óbice da Súmula 7/STJ incidente sobre a alínea a prejudica o exame da alínea c.13. A concessão de habeas corpus de ofício pressupõe flagrante ilegalidade aferível de plano, o que não se verifica, pois a pena-base foi fixada no mínimo legal, as circunstâncias judiciais foram integralmente favoráveis ao agravante e a fração da minorante foi aplicada com motivação concreta, de modo que a mera inconformidade com o resultado da dosimetria não se confunde com ilegalidade manifesta.14. O agravo regimental limita-se a reiterar argumentos já enfrentados na decisão monocrática, sem infirmar seus fundamentos, razão pela qual não há motivo para retratação ou reconsideração.IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Resultado do Julgamento: Negado provimento ao agravo regimental.Tese de julgamento:1. O reconhecimento, pelo Tribunal do Júri, da causa de diminuição do art. 121, § 1º, do Código Penal não vincula o juiz presidente quanto à fração de redução, que pode ser fixada, entre 1/6 e 1/3, conforme a prova dos autos.2. A revisão, em recurso especial, do patamar da minorante do homicídio privilegiado e da incidência da consunção quando fundadas em elementos concretos do caso demanda reexame fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ.3. Não há consunção entre o porte ilegal de arma de fogo e o homicídio quando comprovado que o agente portava a arma em contexto autônomo e anterior ao crime contra a vida, com lesão independente ao bem jurídico tutelado pela Lei n. 10.826/2003.4. A ausência de cotejo analítico nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e do art. 255, § 1º, do RISTJ impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c, sendo que o óbice da Súmula 7/STJ na alínea a prejudica o exame da divergência jurisprudencial.5. A mera discordância da defesa quanto à dosimetria da pena, quando esta se mostra fundamentada e dentro dos limites legais, não caracteriza flagrante ilegalidade apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício.Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XXXVIII, c; CP, art. 121, §§ 1º e 2º, IV; Lei n. 10.826/2003, art. 14; CPC, art. 1.029, § 1º; RISTJ, art. 255, § 1º; Súmula 7/STJ.Jurisprudência relevante citada: Precedentes do STJ mencionados apenas a título ilustrativo, sem indicação específica para formação da ratio decidendi.
Consultar o inteiro teor no site do STJ ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Acórdão

j. 05/05/2026

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO-QUALIFICADO. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. DOSIMETRIA DA PENA. FRAÇÃO DA MINORANTE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, ao conhecer de agravo em recurso especial, não conheceu do recurso especial e …

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 14/04/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO PRIVILEGIADO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO ACÓRDÃO PARADIGMA. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. NÃO CONHECIMENTO. NULIDADE DO JULGAMENTO. QUALIFICADORA DO RECURSO QUE IMPOSSIBILITOU A DEFESA DA VÍTIMA. COMPATIBILIDADE COM O PRIVILÉGIO. NATUREZA OBJETIVA DA QUALIFICADORA E SUBJETIVA DO PRIVILÉGIO. DECISÃO DO CONSELHO DE SENTENÇA AMPARADA EM PROVAS. SOBERANIA DOS VE…

Acórdão

j. 06/05/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO PRIVILEGIADO. PRISÃO IMEDIATA. SOBERANIA DOS VEREDICTOS. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO. FRAÇÃO MÍNIMA E QUALIFICADORA. VALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. As questões em discussão consistem em saber se a alegação de negativa de prestação jurisdicional afasta o óbice da supressão de instância, se é possível exc…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 06/05/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO PRIVILEGIADO. PRISÃO IMEDIATA. SOBERANIA DOS VEREDICTOS. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO. FRAÇÃO MÍNIMA E QUALIFICADORA. VALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO2. As questões em discussão consistem em saber se a alegação de negativa de prestação jurisdicional afasta o óbice da supressão de instância, se é possível exclu…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 20/03/2025

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. VIOLAÇÃO AO ART. 619 DO CPP. INOCORRÊNCIA. PLEITO DE RECONHECIMENTO DE LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA. IMPOSSIBILIDADE. AFASTAMENTO DAS QUALIFICADORAS. MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. COMPETÊNCIA DO CONSELHO DE SENTENÇA. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. No que diz respeito à suposta…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.