JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Data do julgamento
03/06/2026
Data de publicação
10/06/2026

STJ – Acórdão, j. 03/06/2026, p. 10/06/2026

Ementa

Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus indeferido liminarmente. Reiteração de writ e utilização como sucedâneo de revisão criminal. Inexistência de ilegalidade flagrante. Agravo desprovido. Habeas corpus não conhecido.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus, por reiteração de impugnação e ausência de ilegalidade flagrante.2. Fato relevante. Paciente condenado, em primeiro grau, pelo art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, regime inicial fechado, e 680 dias-multa; apelação criminal desprovida. No habeas corpus, o impetrante requereu a desclassificação para o art. 28 da Lei n. 11.343/2006, com adequação da pena e do regime, e a revogação da prisão.3. As decisões anteriores. O acórdão impugnado já foi previamente analisado em HC n. 1.055.489/SP, não conhecido, tendo sido afastada a concessão de ordem de ofício por inexistência de ilegalidade flagrante. O acórdão coator transitou em julgado em meados de junho de 2024, segundo consulta ao sistema processual do Tribunal de Justiça.II. Questão em discussão4. A questão em discussão consiste em saber se é admissível o conhecimento de habeas corpus quando há reiteração de impugnação contra o mesmo acórdão já analisado em writ anterior, sem constatação de ilegalidade flagrante, e se o habeas corpus pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal para rediscutir matéria já transitada em julgado.III. Razões de decidir5. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça não admite a dupla apreciação de teses em habeas corpus, notadamente quando já houve análise anterior do mesmo acórdão, sem identificação de ilegalidade flagrante.6. O habeas corpus não se presta como sucedâneo de revisão criminal para rediscutir matéria já transitada em julgado, salvo em situações excepcionais de flagrante ilegalidade, inexistentes no caso concreto.7. Nos termos do art. 105, inciso I, alínea e, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, as revisões criminais de seus julgados, o que afasta o manejo do habeas corpus para a mesma finalidade.8. A ausência de demonstração de ilegalidade manifesta impede a superação dos óbices de conhecimento do writ e impõe a manutenção da decisão agravada pelos próprios fundamentos.IV. Dispositivo e tese9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantida a decisão monocrática. Habeas corpus não conhecido.Tese de julgamento:1. É inadmissível a reiteração de habeas corpus para rediscutir teses já apreciadas em writ anterior, ausente ilegalidade flagrante.2. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal para matéria já transitada em julgado, salvo hipótese de flagrante ilegalidade.Dispositivos relevantes citados:CF/1988, art. 105, I, e; Lei n. 11.343/2006, arts. 33, caput, e 28.Jurisprudência relevante citada:STJ, HC 1.027.730/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 09.12.2025, DJEN de 16.12.2025
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