JurisprudênciaIA

Superior Tribunal de Justiça

Acórdão

Data do julgamento
19/05/2026
Data de publicação
26/05/2026

STJ – Acórdão, j. 19/05/2026, p. 26/05/2026

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUNAL DO JÚRI. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. DOLO DIRETO E DOLO EVENTUAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso especial em ação penal submetida ao Tribunal do Júri.2. Alegações centrais da agravante: (i) inovação acusatória em plenário com sustentação de dolo eventual quando a denúncia supostamente conteria apenas dolo direto, em violação ao art. 476 do CPP; (ii) nulidade que prescindiria da demonstração de prejuízo;(iii) ofensa à plenitude de defesa pela mencionada inovação.3. Acórdão recorrido consignou inexistência de nulidade posterior à pronúncia, assentando que a imputação dolosa não especificou modalidade de dolo, que a quesitação foi genérica quanto ao início da execução de homicídio tentado e que não houve decisão fora dos limites da pronúncia.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO4. A questão em discussão consiste em saber se a imputação de conduta dolosa permite a sustentação de dolo eventual em plenário do júri, sem violar o princípio da correlação e o art. 476 do CPP, e se a nulidade alegada prescinde da demonstração de prejuízo no rito do júri.III. RAZÕES DE DECIDIR5. A imputação de conduta dolosa abrange tanto o dolo direto quanto o dolo eventual, pois o art. 18, I, do Código Penal não distingue as espécies de dolo; a sustentação de dolo eventual em plenário não afronta o princípio da correlação.6. No procedimento do júri, a correlação se verifica entre a pronúncia e os quesitos; tendo a quesitação versado genericamente sobre a execução de homicídio tentado, sem indagar modalidade de dolo, não há julgamento fora dos limites da pronúncia.7. A decretação de nulidade exige demonstração de prejuízo concreto (art. 563 do CPP; pas de nullité sans grief), inclusive para nulidades reputadas absolutas e no rito do júri; a mera existência de condenação não comprova prejuízo.IV. DISPOSITIVO E TESE8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.Tese de julgamento:1. A imputação de conduta dolosa autoriza a sustentação e a condenação por dolo direto ou por dolo eventual, sem violação ao princípio da correlação, inclusive no procedimento do Tribunal do Júri.2. A nulidade processual penal exige demonstração de prejuízo concreto, nos termos do art. 563 do CPP, também no rito do júri e mesmo para nulidades reputadas absolutas.Dispositivos relevantes citados:CP, art. 18, I; CPP, art. 476; CPP, art. 563 Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp n. 2.769.181/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 17/6/2025, DJEN de 26/6/2025; STJ, AgRg no REsp n. 1.969.689/PE, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 8/3/2022, DJe de 14/3/2022; STJ, AgRg no AREsp n. 3.096.526/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/4/2026, DJEN de 14/4/2026.
Consultar o inteiro teor no site do STJ ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Acórdão

j. 19/05/2026

Direito processual penal. Agravo regimental. Tribunal do Júri.Princípio da correlação. Dolo direto e dolo eventual. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. Agravo regimental IMprovido.I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso especial em ação penal submetida ao Tribunal do Júri.2. Alegações centrais da agravante: (i) inovação acusatória em plenário com sustentação de dolo eventual quando a denúncia supostamente conteria apena…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 03/03/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO DOLOSO. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. SUSTENTAÇÃO DE DOLO EVENTUAL EM PLENÁRIO DO JÚRI APÓS DENÚNCIA E PRONÚNCIA POR DOLO DIRETO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE VIOLAÇÃO. ANIMUS NECANDI QUE ABRANGE AMBAS AS MODALIDADES DE DOLO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A correlação entre a denúncia e a pronúncia, no âmbito do Tribunal do Júri, não exige rígida aderência à modalidade específica de dolo expressamente mencionada na peça acusató…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Carlos Pires Brandão · j. 25/02/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUNAL DO JÚRI. HOMICÍDIO QUALIFICADO. QUESITAÇÃO. DOLO DIRETO E DOLO EVENTUAL. TESE DESCLASSIFICATÓRIA PARA HOMICÍDIO CULPOSO. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO CONFIGURADA. DENÚNCIA E PRONÚNCIA SEM ESPECIFICAÇÃO DE MODALIDADE DE DOLO. DEFESA QUE CONCORREU PARA DESDOBRAMENTO DOS QUESITOS. ARTIGO 565 DO CPP. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo …

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca · j. 17/06/2025

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. TRIBUNAL DO JÚRI. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOVAÇÃO DA TESE DA ACUSAÇÃO EM PLENÁRIO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. DECISÃO DOS JURADOS AMPARADA NO CONJUNTO PROBATÓRIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A nulidade processual depende da demonstração de prejuízo concreto (pas de nullité sans grief), o que não foi comprovado nos autos…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Carlos Pires Brandão · j. 25/02/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUNAL DO JÚRI. QUESITAÇÃO. DOLO EVENTUAL. CULPA CONSCIENTE. PRECLUSÃO. SOBERANIA DOS VEREDICTOS. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento a recurso especial, no qual se alegava nulidade absoluta do julgamento pelo Conselho de Sentença, em razão da ausência de quesito obrigatório que permitisse aos jurados considerar a tese defensiva de d…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.