- Relator(a)
- Edson Fachin
- Órgão julgador
- Segunda Turma
- Data do julgamento
- 26/06/2025
- Data de publicação
- 26/06/2025
STF – HC 255.847, Rel. Edson Fachin, Segunda Turma, j. 26/06/2025, p. 26/06/2025
EMENTA: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA E AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP PREENCHIDOS. INDÍCIOS MÍNIMOS DE AUTORIA PRESENTES. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo regimental interposto contra decisão que negou seguimento a habeas corpus impetrado com o objetivo de trancar a ação penal instaurada contra o paciente, sob a alegação de inépcia da denúncia e ausência de justa causa. A defesa sustenta que a peça acusatória seria inepta por inviabilizar o exercício da ampla defesa e que os indícios de autoria estariam fundados exclusivamente na palavra de colaborador, o que não autorizaria o recebimento da denúncia. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir se a denúncia é inepta a ponto de impedir o exercício da ampla defesa; (ii) estabelecer se há ausência de justa causa para o prosseguimento da ação penal, em razão da suposta insuficiência de indícios mínimos de autoria delitiva. III. RAZÕES DE DECIDIR A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal estabelece que o trancamento da ação penal é medida excepcional, cabível apenas nas hipóteses de manifesta atipicidade da conduta, ausência de indícios mínimos de autoria ou presença de causa extintiva de punibilidade. A denúncia atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, com descrição individualizada das condutas atribuídas ao paciente e contextualização suficiente dos fatos imputados, o que viabiliza o exercício do contraditório e da ampla defesa. Os elementos de prova que fundamentam a imputação não se restringem às declarações do colaborador, abrangendo documentos apreendidos, depoimentos de testemunhas e relatório da Corregedoria da Receita Federal, que indicam o envolvimento do paciente em suposto pagamento de vantagem indevida. A valoração do conjunto probatório demandaria incursão aprofundada nos fatos, o que é incompatível com a estreita via do habeas corpus, segundo jurisprudência pacífica da Corte. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: A rejeição da denúncia é providência excepcional, viável somente quando estiverem comprovadas, de logo, a atipicidade da conduta, a extinção da punibilidade ou a evidente ausência de justa causa, aspectos não compreendidos no caso sob análise A existência de justa causa para a ação penal - consistente na existência de materialidade e indícios mínimos de autoria - impede o trancamento da ação penal. O habeas corpus não se presta à valoração aprofundada do acervo probatório, tarefa própria das instâncias ordinárias.(HC 255847 AgR, Relator(a): EDSON FACHIN, Segunda Turma, julgado em 16-06-2025, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 25-06-2025 PUBLIC 26-06-2025)
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