- Relator(a)
- Ministro Carlos Pires Brandão
- Órgão julgador
- Sexta Turma
- Data do julgamento
- 07/10/2025
- Data de publicação
- 17/10/2025
STJ – Acórdão, Rel. Ministro Carlos Pires Brandão, Sexta Turma, j. 07/10/2025, p. 17/10/2025
Direito processual penal. Agravo regimental no recurso em habeas corpus. Prisão preventiva. Fundamentação idônea. Garantia da ordem pública. Recurso regiment al não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento ao recurso ordinário em habeas corpus, mantendo a prisão preventiva do agravante, acusado de integrar organização criminosa e de tráfico de drogas, tipificados nos arts. 2º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 12.850/2013 e art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006. 2. A defesa alegou ausência de fundamentação idônea e de contemporaneidade na prisão preventiva, destacando a inexistência de elementos materiais mínimos aptos a comprovar os delitos imputados, além de interceptações telefônicas datadas de 2022 e 2023 como única base para a denúncia. Requereu a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. 3. O Tribunal de origem manteve a prisão preventiva com base na gravidade concreta dos delitos, no risco de reiteração delitiva e na necessidade de garantia à ordem pública. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a prisão preventiva do agravante está devidamente fundamentada, considerando: (i) a alegação de ausência de fundamentação idônea e individualizada; (ii) a suposta falta de contemporaneidade entre os fatos criminosos e a decretação da prisão; e (iii) a possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas. III. Razões de decidir 5. A prisão preventiva foi considerada necessária para garantir a ordem pública, devido à gravidade concreta dos delitos imputados ao agravante, que é apontado como líder de facção criminosa armada, envolvido em disputas violentas por pontos de venda de drogas. 6. A fundamentação da prisão preventiva foi considerada idônea, com base em elementos concretos, como relatórios policiais e extração de dados de aparelho celular do agravante, além de sua reincidência e condenações definitivas anteriores. 7. A contemporaneidade dos requisitos cautelares foi aferida pela persistência do risco à ordem pública e pela possibilidade de reiteração delitiva, não apenas pela data dos crimes. 8. A aplicação de medidas cautelares diversas da prisão foi considerada insuficiente para garantir os fins do processo, dada a gravidade dos fatos e a periculosidade do agravante. IV. Dispositivo e tese 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. A prisão preventiva é justificada pela necessidade de garantir a ordem pública, quando há risco de reiteração delitiva e gravidade concreta dos delitos. 2. A fundamentação idônea da prisão preventiva pode ser baseada em elementos concretos que evidenciem a periculosidade do agente e a gravidade dos fatos. 3. A contemporaneidade dos requisitos cautelares é aferida pela persistência do risco à ordem pública e pela possibilidade de reiteração delitiva, não apenas pela data dos crimes. 4. A aplicação de medidas cautelares diversas da prisão pode ser insuficiente quando os requisitos da prisão preventiva estão concretamente demonstrados. Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 311, 312 e 319; Lei nº 12.850/2013, arts. 2º, §§ 2º e 3º; Lei nº 11.343/2006, art. 33. Jurisprudência relevante citada: STF, RHC 177.649/AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 29/11/2019; STJ, AgRg no HC 682.732/SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/11/2021. (AgRg no RHC n. 214.779/CE, relator Ministro Carlos Pires Brandão, Sexta Turma, julgado em 7/10/2025, DJEN de 17/10/2025.)
Consultar o inteiro teor no site do STJ ↗Pesquise jurisprudência como esta
Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.