JurisprudênciaIA

Tribunal Superior do Trabalho

Agravo 0000847-51.2021.5.10.0102

Relator(a)
Katia Magalhaes Arruda
Órgão julgador
6ª Turma
Data do julgamento
13/03/2024
Data de publicação
15/03/2024

TST – Agravo 0000847-51.2021.5.10.0102, Rel. Katia Magalhaes Arruda, 6ª Turma, j. 13/03/2024, p. 15/03/2024

Ementa

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. RECLAMADA. LEI Nº 13.467/2017. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. AÇÃO PROPOSTA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/17. 1 - Na decisão monocrática foi negado provimento ao agravo de instrumento, ficando prejudicada a análise da transcendência. 2 - Inicialmente, vale salientar que a delegação de competência ao relator para decidir monocraticamente encontra respaldo no art. 896, § 14, da CLT, na Súmula nº 435 do TST, no Código de Processo Civil de 2015 e no Regimento Interno do TST, além da Emenda Constitucional nº 45/2004, que consagrou o princípio da razoável duração do processo. Destaque-se, ainda, que o STF, em tese vinculante no AI nº 791.292-QO-RG/PE (Repercussão Geral), concluiu que atende a exigência do art. 93, IX, da Constituição Federal a técnica da motivação referenciada, a qual se compatibiliza com os princípios da razoável duração do processo, do devido processo legal e da ampla defesa. Assim, não há óbice para que fosse decidido o recurso monocraticamente, permitindo à parte interposição de agravo ao Colegiado, sem prejuízo processual. 3 - De ofício, corrige-se erro material havido na decisão monocrática para registrar que no caso concreto deve ser reconhecida a transcendência jurídica, pois aconselhável o exame mais detido da controvérsia devido às peculiaridades do caso concreto. O enfoque exegético da aferição dos indicadores de transcendência em princípio deve ser positivo, especialmente nos casos de alguma complexidade, em que se torna aconselhável o debate mais aprofundado da matéria. 4 - A reclamação trabalhista foi ajuizada em 08/09/2021. Portanto, após a Lei nº 13.467/17, que passou a ter vigência em 11/11/2017. O TRT arbitrou honorários sucumbenciais, em desfavor do reclamante, em 10% dos valores dos pedidos rejeitados. Já os honorários em desfavor da reclamada foram arbitrados em 5% do que resultar da liquidação de sentença. Importante destacar que da leitura dos trechos transcritos nas razões do recurso de revista, ainda que não apreciada expressamente a incidência do art. 86, parágrafo único, do CPC, é fato que a reclamada opôs embargos de declaração provocando o TRT de origem a fazê-lo. Assim, deve-se considerar configurado o prequestionamento ficto da matéria. 5 - Na hipótese, a reforma trabalhista, introduzida pela Lei nº 13.467/17, trata desta questão em seu art. 791-A da CLT. Da análise do dispositivo, se verifica que os honorários advocatícios sucumbenciais são devidos quando a parte seja vencida na causa, parcial ou totalmente, ou, ainda, serão recíprocos, quando ambas as partes forem vencidas (art. 791-A, caput, §3º, da CLT), como no caso dos autos. Além disso, depreende-se do caput do aludido dispositivo que os honorários advocatícios poderão ser calculados sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. 6 - Dessa forma, conclui-se que a fixação dos honorários advocatícios devidos pela parte reclamada com base nos pedidos julgados parcialmente ou totalmente procedentes se encontra em conformidade com o disposto no art. 791-A, caput e § 3º, da CLT. 7 - Por outro lado, para análise da incidência do art. 86, parágrafo único, do CPC, pelo qual se afasta a condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais em casos de sucumbência mínima, deve-se considerar o polo processual a ser impactado pela decisão. 8 - Não se pode ignorar que o mero ajuizamento de uma reclamação trabalhista alude a bem da vida tutelado pelo ordenamento jurídico cujo trabalhador (em regra, hipossuficiente) busca o reparo ou a recomposição de direitos de natureza essencialmente fundamentais, cujo fundamento de validade encontra-se presente, primordialmente, no âmbito constitucional e em normas internacionais. Da mesma forma, leve-se em conta que as reclamações trabalhistas em trâmite na Justiça do Trabalho consideram a realidade de uma classe trabalhadora que, em sua grande maioria, é remunerada em patamares reduzidos, alcançando percentuais em muito inferiores ao teto de benefícios da previdência social (fixado em 2024 no valor de R$ 7.786,02). Assim, a mera noção do termo "sucumbência mínima" não pode considerar limitadamente o valor financeiro alcançado na condenação imposta. 9 - No caso dos autos, ainda que configurada a procedência parcial de apenas um dos pedidos formulados em reclamação trabalhista, as horas extras ora reconhecidas constituem direito de caráter fundamental cuja proteção encontra amparo tanto na Constituição Federal (art. 7º, XIII e XVI) quanto em normas internacionais (arts. 7.6 do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e 7 do Pacto de São Salvador). 10 - Nesse contexto, e ainda a partir da incidência do princípio da causalidade, pelo qual a conduta irregular da reclamada demandou o ajuizamento da reclamação trabalhista, indevida a incidência do art. 86, parágrafo único, do CPC para isentar a reclamada do pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 11 - Agravo a que se nega provimento. (Tribunal Superior do Trabalho (6ª Turma). Acórdão: 0000847-51.2021.5.10.0102. Relator(a): KATIA MAGALHAES ARRUDA. Data de julgamento: 13/03/2024. Juntado aos autos em 15/03/2024.)
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