O que é o princípio da intranscendência
Previsto no art. 5º, XLV, da Constituição e no art. 13 do Código Penal, o princípio da intranscendência (ou pessoalidade da pena) impede que os efeitos da condenação ultrapassem a pessoa do condenado. O STJ aplicou essa lógica ao campo civil: ao expor a intimidade da família atual de ex-condenada, a reportagem compartilhou com terceiros dimensões evitáveis e indesejáveis do crime.
O tribunal destacou que nem foi preciso discutir o direito ao esquecimento, porque o esposo e os filhos não eram figuras notórias à época do crime nem tinham qualquer envolvimento com o fato; foram atingidos apenas pela relação familiar posterior.
A proteção reforçada de crianças e adolescentes
Quanto aos filhos menores, o julgado invocou o melhor interesse da criança como critério regente, com apoio na Opinião Consultiva 17 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, no art. 3º do ECA e no art. 16 da Convenção sobre os Direitos da Criança. Relacionar publicamente a rotina dos menores ao ato criminoso ofende o direito ao desenvolvimento sadio e integral.
Na prática, a imprensa pode rememorar crimes históricos, mas não pode transformar em pauta a vida privada de parentes alheios ao fato. Os limites concretos dessa exposição são avaliados caso a caso pelos tribunais.
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