JurisprudênciaIA

Plano de saúde pode negar medicamento off-label registrado na ANVISA prescrito pelo médico?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo o STJ (Informativo 717), é abusiva a recusa da operadora em custear medicamento registrado na ANVISA e prescrito pelo médico do paciente, ainda que o uso seja off-label ou experimental, especialmente quando o fármaco é imprescindível à conservação da vida e da saúde do beneficiário. A recusa fundada apenas no uso off-label é indevida.

Por que a recusa por uso off-label é abusiva

O uso off-label ocorre quando o medicamento tem registro na ANVISA, mas é prescrito para finalidade diferente daquela constante da bula. Para o STJ, essa circunstância não autoriza a negativa de cobertura: quem define o tratamento adequado é o médico assistente, e o registro sanitário do fármaco já atesta sua segurança.

No caso analisado, o rituximabe foi prescrito de forma off-label para paciente com lúpus e pielonefrite, e a Corte considerou indevida a recusa, por se tratar de medicamento registrado e essencial à saúde da beneficiária.

O limite dos medicamentos de uso domiciliar

O entendimento convive com a regra de que a operadora pode excluir medicamentos de tratamento domiciliar, assim entendidos os adquiridos em farmácia e autoadministrados pelo paciente, salvo antineoplásicos orais, medicação assistida e itens do rol da ANS para esse fim.

Medicamentos injetáveis que exigem supervisão direta de profissional de saúde, como o aplicado por via intravenosa no caso julgado, não se enquadram nessa exclusão: são de uso ambulatorial ou medicação assistida e, portanto, de cobertura obrigatória.

O que isso significa na prática

Preenchidos os requisitos (registro na ANVISA, prescrição médica e, quando for o caso, necessidade de aplicação assistida), a negativa baseada apenas no rótulo off-label tende a ser afastada pelo Judiciário. Ainda assim, os tribunais examinam caso a caso a forma de administração do fármaco e o enquadramento nas hipóteses legais de cobertura.

O que dizem os tribunais

Informativo 782 do STJ · Lei 9.656

A recusa da operadora do plano de saúde em custear medicamento registrado pela ANVISA e prescrito pelo médico do paciente é abusiva, ainda que se trate de fármaco off-label ou utilizado em caráter experimental, especialmente na hipótese em que se mostra imprescindível à conservação da vida e saúde do beneficiário.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

j. 01/06/2026

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL (CONSUMIDOR - PLANO DE SAÚDE). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO EM USO OFF LABEL. CERCEAMENTO DE DEFESA. MEDICAMENTO DE USO DOMICILIAR. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.I. Caso em exame1. Agravo interno interposto por operadora de plano de saúde contra decisão monocrática que negara provimento a recurso especial manejado com fundamento nas alíneas "a" e "c" do art. 105, III, da Constituição Federal, em a…

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j. 01/06/2026

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Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 11/05/2026

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Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 01/12/2025

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Acórdão

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