- Relator(a)
- Ministro Herman Benjamin
- Órgão julgador
- Segunda Turma
- Data do julgamento
- 06/08/2024
- Data de publicação
- 28/08/2024
STJ – Acórdão, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, j. 06/08/2024, p. 28/08/2024
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONDENAÇÃO NA MODALIDADE CULPOSA. APLICAÇÃO DO TEMA 1199/STF. EXTINÇÃO DA AÇÃO. PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO COM EFEITOS MODIFICATIVOS. HISTÓRICO DA DEMANDA: 1. Trata-se, na origem, de Ação por Improbidade Administrativa na qual se apontou atos de improbidade praticados contra a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Narra o Parquet que Ulysses Fagundes Neto, na condição de reitor da Unifesp, realizou treze viagens para o exterior nos anos de 2006 e 2007, custeadas pela Administração, violou o regime de dedicação exclusiva e efetuou despesas de caráter pessoal por meio de cartão corporativo. Sérgio Tufik, Reinaldo Salomão e Lucila Amaral Carneiro Vianna colaboraram com essas condutas, pois foram responsáveis pela obtenção de autorização do Ministério da Educação para as viagens ao estrangeiro, requisição de passagens aéreas e diárias, expedição do cartão corporativo utilizado pelo reitor, empenho dos recursos destinados ao pagamento das faturas e respectivos pagamentos e liquidação das prestação de contas, dadas por regulares. 2. No primeiro grau, o recorrente foi condenado pela prática de ato de improbidade, e a Corte de origem manteve a condenação, nos termos do art. 10, I, II, IX, XI e XII, da Lei 8.429/1992. No STJ, conheceu-se do Agravo de Sérgio Tufik para não se conhecer do Recurso Especial. APLICAÇÃO DO TEMA 1.199/STF AO PRESENTE RECURSO: CONDUTA CULPOSA VERIFICADA NA ORIGEM: 3. O STF ao julgar o Tema 1.199, fixou as seguintes teses: "(i) é necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva dolosa na tipificação dos atos de improbidade administrativa; (ii) a revogação da modalidade culposa de improbidade administrativa é, em regra, irretroativa; (iii) no caso de atos culposos praticados na vigência do texto anterior, porém sem condenação transitada em julgado, seve ser feita nova análise do elemento subjetivo; e (iv) O novo regime prescricional não retroage, aplicando-se os novos marcos temporais apenas após a publicação da nova lei". 4. Dessa forma, o Tema 1.199/STF determinou a aplicação imediata da nova legislação para os atos culposos cuja condenação ainda não tenha transitado em julgado. No caso dos autos, o recorrente foi condenado por improbidade administrativa na modalidade culposa, nos termos do art. 10, incisos I, II, IX, XI e XII da Lei 8.429/92. 5. No tocante à configuração do elemento subjetivo, consistente na culpa, a Corte a quo consignou que "No tocante aos corréus SÉRGIO TUFIK, LUCILA AMARAL CARNEIRO VIANNA e REINALDO SALOMÃO, considere-se a conduta culposa deles, os quais devem responder nessa modalidade, a resultar em dosimetria mais branda em relação ao reitor, de maneira que não se impõe a condenação da perda da função pública." (fl. 8.219, grifei). 6. Assim, verificada a conduta culposa do recorrente e ausente o trânsito em julgado, admite-se a aplicação retroativa da disciplina inaugurada pela Lei 14.230/2021 (Tema 1.199/STF), com extinção do processo já neste grau, conforme maioria já formada no âmbito da Primeira (AgInt no AREsp n. 2.163.400/MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 7/6/2024) e desta Segunda Turmas (AResp 1.905.533, Rel. Min. Herman Benjamin). CONCLUSÃO: 7. Embargos de Declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para tornar sem efeito o acórdão embargado, apenas em relação ao julgamento do embargante, e extinguir o processo contra ele. (EDcl no AREsp n. 1.766.658/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6/8/2024, DJe de 28/8/2024.)
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