JurisprudênciaIA

Tribunal Superior do Trabalho

Agravo 0021662-69.2015.5.04.0030

Relator(a)
Douglas Alencar Rodrigues
Órgão julgador
5ª Turma
Data do julgamento
24/08/2022
Data de publicação
26/08/2022

TST – Agravo 0021662-69.2015.5.04.0030, Rel. Douglas Alencar Rodrigues, 5ª Turma, j. 24/08/2022, p. 26/08/2022

Ementa

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. REGIDO PELA LEI 13.467/2017. 1. DOENÇA OCUPACIONAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. LESÃO DEGENERATIVA NA LOMBAR E CERVICAL. NEXO DE CONCAUSALIDADE. AGRAVAMENTO DA DOENÇA EM RAZÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA 126/TST. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA . 1. A Corte Regional, após análise do acervo fático-probatório dos autos (artigo 371 do CPC/2015), firmou convicção no sentido de que restaram configurados a culpa do empregador e o nexo concausal entre as patologias apresentadas pela Reclamante e o trabalho desenvolvidas em favor da Reclamada. Destacou que a Reclamante é portadora de doença (cervicalgia e lombalgia) de origem degenerativa, porém agravada pelo trabalho prestado na empresa ré. Assentou a culpa da Reclamada, fundamentando que " as atividades executadas pela reclamante - atendente comercial - a expunha a riscos ergonômicos acima da média, conforme atesta PCMSO, juntados aos autos pela reclamada, que menciona os riscos na atividade laborativa (ID. b9558e9 - Pág. 23). E, mesmo que assim fosse, a culpa da reclamada decorre da ausência de adoção das medidas hábeis a elidir ou mesmo minimizar os riscos existentes na atividade, encargo que lhe cabia, na forma do disposto no artigo 7º, XXII, da Constituição da República, artigo 157 da CLT e artigo 19, §§ 1º e 3º, da Lei nº 8.213/91. Não foram trazidos aos autos documentos capazes de demonstrar que a reclamada disponibilizava a seus empregados mobiliário adequado e compatível com os riscos ergonômicos ". Ademais, com base na prova pericial, estabeleceu que " a autora tem redução da capacidade laborativa de 25% dos membros atingidos, sendo que, em virtude da concausalidade, apenas 12,5% são atribuíveis à empresa ". Configurados os elementos da responsabilidade civil subjetiva, concluiu, assim, pela existência do dever de indenizar da Reclamada pelos danos materiais e morais sofridos pelo Reclamante. 2. Nesse cenário, a alteração da conclusão adotada pelo Tribunal Regional, de modo a prevalecer a tese da parte contrária, demandaria o revolvimento do quadro fático-probatório, procedimento vedado nesta esfera recursal extraordinária, nos termos da Súmula126 do TST, cuja incidência obsta o processamento do recurso de revista, inviabilizando a análise da suposta violação de dispositivos da Constituição Federal e de lei. Nesse contexto, não afastados os fundamentos da decisão agravada, nenhum reparo enseja a decisão. 2. DOENÇA OCUPACIONAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA. 1. A intervenção desta Corte Superior para alterar o montante arbitrado a título de indenização por danos morais apenas se mostra pertinente nas hipóteses em que o valor fixado é visivelmente ínfimo ou, por outro lado, bastante elevado. 2. Ao decidir a questão, a Corte de origem manteve a sentença de origem em que deferido o pagamento de indenização por danos morais, em face da doença ocupacional a que foi acometida a Autora, no importe de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Consignou que " Quanto ao montante devido, tendo em vista que a indenização por dano moral tem finalidades de cunho punitivo e pedagógico, e levando em consideração as condições financeiras do ofensor, a concausalidade da doença com o trabalho, o grau e redução da capacidade laborativa, e o período laborado para a reclamada, entende-se razoável o valor arbitrado na sentença ". 3. Tem-se que o montante fixado não se mostra irrisório ou exorbitante de modo a atrair a atuação deste Tribunal Superior, tendo sido atendidos os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Acrescente-se que o acórdão regional encontra-se embasado nas provas dos autos, sendo que somente com o revolvimento do contexto fático-probatório seria possível se alcançar conclusão diversa, o que não se admite nesta instância extraordinária, ante o óbice da Súmula 126/TST. Nesse contexto, não afastados os fundamentos da decisão agravada, nenhum reparo merece a decisão. Agravo não provido, com acréscimo de fundamentação. (Tribunal Superior do Trabalho (5ª Turma). Acórdão: 0021662-69.2015.5.04.0030. Relator(a): DOUGLAS ALENCAR RODRIGUES. Data de julgamento: 24/08/2022. Juntado aos autos em 26/08/2022.)
Consultar o inteiro teor no site do TST ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Agravo 0000662-68.2015.5.05.0132

5ª Turma · Rel. Douglas Alencar Rodrigues · j. 24/08/2022

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. REGIDO PELA LEI 13.015/2014. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. O dever estatal de prestar a jurisdição, enquanto garantia fundamental da cidadania (Constituição Federal, artigo 5º, XXXV), não se confunde com o direito à obtenção de pronunciamento favorável às pretensões deduzidas. Embora o exercício da jurisdição no Estado Democrático de Direito seja incompatível com posturas arbitrá…

Agravo 0001336-77.2015.5.05.0251

5ª Turma · Rel. Douglas Alencar Rodrigues · j. 26/10/2022

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. REGIDO PELA LEI 13.467/2017. DOENÇA OCUPACIONAL. LESÃO DEGENERATIVA. NEXO DE CONCAUSALIDADE. AGRAVAMENTO DA DOENÇA EM RAZÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA 126/TST. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA . 1. A Corte Regional, após análise do acervo fático-probatório dos autos (artigo 371 do CPC/2015), firmou convicção no sentido de que restaram configurados a c…

Agravo 0100700-15.2020.5.01.0071

5ª Turma · Rel. Douglas Alencar Rodrigues · j. 21/08/2025

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.467/2017. DOENÇA OCUPACIONAL. CONCAUSA. INCAPACIDADE LABORATIVA PARCIAL E PERMANENTE. RESPONSABILIDADE. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. DECISÃO PROFERIDA COM BASE NAS PROVAS DOS AUTOS. ÓBICE DA SÚMULA 126/TST. INCIDÊNCIA TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA. Situação em que o Tribunal Regional, com base nas provas dos autos, registrou que as lesões que acometeram o Reclamant…

Agravo 0002832-34.2017.5.10.0801

3ª Turma · Rel. Mauricio Godinho Delgado · j. 09/12/2020

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/2014 E ANTERIOR À LEI Nº 13.467/2017 . 1. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. 2. NULIDADE DO LAUDO PERICIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. 3. DOENÇA OCUPACIONAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR. NEXO CONCAUSAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. A indenização resultante de acidente do trabalho e/ou doença profissional ou ocupacional supõe …

Agravo de Instrumento em Recurso de Revista 0011042-70.2017.5.15.0143

1ª Turma · Rel. Hugo Carlos Scheuermann · j. 24/08/2022

EMENTA: AGRAVO DO RECLAMANTE. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL. DOENÇA OCUPACIONAL. INCAPACIDADE PARCIAL E PERMANENTE PARA O TRABALHO. NEXO DE CONCAUSALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA N° 126 DO TST. ÓBICE PROCESSUAL QUE IMPEDE A ANÁLISE DA MATÉRIA, A TORNAR INÓCUA A MANIFESTAÇÃO DESTA CORTE SOBRE EVENTUAL TRANSCENDÊNCIA DA CAUSA. 2. INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL. DOENÇA OCUPACIONAL. PAGAMENTO EM PARCELA ÚNICA. APLICAÇÃO DE REDUTOR DE…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.