JurisprudênciaIA

Tribunal Superior do Trabalho

Agravo de Instrumento em Recurso de Revista 0010971-58.2018.5.15.0135

Relator(a)
Katia Magalhaes Arruda
Órgão julgador
6ª Turma
Data do julgamento
31/08/2022
Data de publicação
02/09/2022

TST – Agravo de Instrumento em Recurso de Revista 0010971-58.2018.5.15.0135, Rel. Katia Magalhaes Arruda, 6ª Turma, j. 31/08/2022, p. 02/09/2022

Ementa

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. LEI Nº 13.467/2017. FUNDAÇÃO CASA - SP. TRANSCENDÊNCIA. AGENTE DE APOIO SÓCIOEDUCATIVO. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. Exame de ofício da delimitação do acórdão recorrido : o Regional manteve a condenação da reclamada ao pagamento do adicional de periculosidade. Para tanto, ficou consignado: " O Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Portaria 1.885, de 02/12/2013, aprovou o Anexo 3 da Norma Regulamentadora 16 - Atividades e Operações Perigosas, que trata das atividades ou operações que impliquem exposição dos profissionais de segurança pessoal ou patrimonial a roubos ou outras espécies de violência física consideradas perigosas. De acordo com o item 2 da referida portaria, são considerados "profissionais de segurança pessoal ou patrimonial os trabalhadores que atendam a uma das seguintes condições: (...) b) empregados que exercem a atividade de segurança patrimonial ou pessoal em instalações metroviárias, ferroviárias, portuárias, rodoviárias, aeroportuárias e de bens públicos, contratados diretamente pela administração pública direta ou indireta." O item 3, por sua vez, estabelece que "as atividades ou operações que expõem os empregados a roubos ou outras espécies de violência física, desde que atendida uma das condições do item 2, são: vigilância patrimonial (descrição: segurança patrimonial e/ou pessoal na preservação do patrimônio em estabelecimentos públicos ou privados e da incolumidade física de pessoas); (...); segurança pessoal (descrição: acompanhamento e proteção da integridade física de pessoa ou de grupos); (...)". Por conseguinte, ante os termos da Norma Regulamentadora do MTE - e das máximas de experiência -, é possível concluir que as atividades desempenhadas pelo reclamante, conforme Descritivo de função colacionada pela ré (Id 76565be), consistentes em acompanhar a rotina dos adolescentes tais como: o despertar, as refeições, higienização corporal e verificação de ambientes, transferências de unidades, realizar revistas periódicas nas unidades e nos adolescentes, garantir a segurança e disciplina da "Casa" enquadram-se como perigosas, com fulcro no artigo 193, II, da CLT, sendo devido o adicional pretendido. Nesse sentido, o C. TST tem reconhecido o direito ao adicional de periculosidade nas condições descritas nos autos. Observe-se a seguinte ementa: [...]. Destarte, as atividades desenvolvidas pelo autor enquadram-se como perigosas, com fulcro no artigo 193, II, da CLT, sendo devido o adicional pretendido, com reflexos, por ser verba de natureza salarial . Outrossim, esta Eg. Câmara, em sua atual composição, adota o entendimento de que o pagamento do adicional de periculosidade nas atividades de segurança pessoal ou patrimonial somente é devido a partir da regulamentação da matéria, nos termos do "caput" do art. 193 da CLT, com a redação conferida pela Lei n. 12.740/2012. Contudo, no caso em estudo, desnecessária a limitação da condenação tendo em vista que o reclamante foi admitido em 20/01/2014. [...]. Apelo não provido .".(grifos acrescidos). Não há transcendência política , pois não constatado o desrespeito à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal. Não há transcendência social , pois não se trata de postulação, em recurso de reclamante, de direito social constitucionalmente assegurado. Não há transcendência jurídica , pois não se discute questão nova em torno de interpretação da legislação trabalhista. Não se reconhece a transcendência econômica quando, a despeito dos valores da causa e da condenação, não se constata a relevância do caso concreto, pois a tese do TRT é no mesmo sentido do entendimento desta Corte Superior (IRR nº 1001796-60.2014.5.02.0382), não havendo matéria de direito a ser uniformizada. O Tribunal Superior do Trabalho, no julgamento do IRR nº 1001796-60.2014.5.02.0382, envolvendo a mesma reclamada, fixou a seguinte tese jurídica de observância obrigatória: " I . O Agente de Apoio Socioeducativo (nomenclatura que, a partir do Decreto nº 54.873 do Governo do Estado de São Paulo, de 06.10.2009, abarca os antigos cargos de Agente de Apoio Técnico e de Agente de Segurança) faz jus à percepção de adicional de periculosidade, considerado o exercício de atividades e operações perigosas, que implicam risco acentuado em virtude de exposição permanente a violência física no desempenho das atribuições profissionais de segurança pessoal e patrimonial em fundação pública estadual. II. Os efeitos pecuniários decorrentes do reconhecimento do direito do Agente de Apoio Socioeducativo ao adicional de periculosidade operam-se a partir da regulamentação do art. 193, II, da CLT em 03.12.2013 - data da entrada em vigor da Portaria nº 1.885/2013 do Ministério do Trabalho, que aprovou o Anexo 3 da NR-16 ". Não há outros indicadores de relevância no caso concreto (art. 896-A, § 1º, parte final, da CLT). Agravo de instrumento a que se nega provimento . (Tribunal Superior do Trabalho (6ª Turma). Acórdão: 0010971-58.2018.5.15.0135. Relator(a): KATIA MAGALHAES ARRUDA. Data de julgamento: 31/08/2022. Juntado aos autos em 02/09/2022.)
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