- Relator(a)
- Antonio Fabricio de Matos Goncalves
- Órgão julgador
- 6ª Turma
- Data do julgamento
- 19/03/2025
- Data de publicação
- 24/03/2025
TST – Agravo de Instrumento em Recurso de Revista 1001396-89.2022.5.02.0083, Rel. Antonio Fabricio de Matos Goncalves, 6ª Turma, j. 19/03/2025, p. 24/03/2025
EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. LEI Nº 13.467/2017. PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA DO TRIBUNAL REGIONAL PARA O PRIMEIRO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. A agravante alega que o despacho recorrido analisa o mérito do acórdão agravado e do recurso de revista, o que não é da competência do Tribunal Regional, uma vez que o § 6º do art. 896-A da CLT não autoriza o Tribunal a quo a negar seguimento ao recurso de revista por meio da análise do mérito da decisão recorrida e dos seus fundamentos. Desse modo, apenas o Ministro Relator do Tribunal Superior do Trabalho poderia obstar fundamentadamente o seguimento do recurso. O parágrafo 1º do art. 896 da CLT atribui aos Tribunais Regionais a competência para realizar o primeiro juízo de admissibilidade do recurso de revista. Nota-se, do despacho agravado, que o juízo de admissibilidade se limitou a analisar os pressupostos extrínsecos e intrínsecos, procedimento que não se confunde com juízo de mérito. Assim, não há que se falar em usurpação da competência do TST. Preliminar rejeitada. HORAS EXTRAS. ACORDO DE COMPENSAÇÃO. EMPREGADOS DE EMPRESAS DE VIGILÂNCIA. ESCALAS 4x2, 5x2 E 6x1. INOBSERVÂNCIA DA LIMITAÇÃO IMPOSTA PELA NORMA COLETIVA. SÚMULA Nº 126 DO TST. PREJUDICADA A ANÁLISE DA TRANSCENDÊNCIA. O acórdão regional atacado, ao negar provimento ao recurso ordinário para manter a condenação da reclamada ao pagamento de horas extras considerando a jornada de 8 (oito) horas diárias, 44 (quarenta e quatro) horas semanais e 191(cento e noventa e uma) horas mensais, assim o fez após perquirir os elementos fático-probatórios presentes nos autos e interpretar restritivamente a norma coletiva, mais especificamente a "CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA PRIMEIRA - JORNADA DE TRABALHO” da CCT, de modo que se impossibilite que seja dada margem a interpretação sem que exista expressa definição nesse sentido. O inconformismo da parte com a conclusão judicial, a qual se fundamentou em um acervo probatório que caminhou em desfavor de sua tese, não constitui motivo para prosseguimento do recurso, uma vez que, por si só, não denota qualquer ofensa a dispositivo legal. Desse modo, entender de forma diversa do Tribunal Regional, órgão soberano na análise de provas, demandaria o revolvimento de fatos e provas, procedimento vedado nesta fase recursal, a teor da diretriz contida na Súmula nº 126 do TST. A existência de obstáculo processual que torna o recurso inapto ao exame de mérito, como no caso, torna prejudicado o exame da transcendência. Agravo de instrumento conhecido e não provido. LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO AOS VALORES INDICADOS NA PETIÇÃO INICIAL. MERA ESTIMATIVA. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 41/2018 DO TST. TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. A jurisprudência desta Corte, a par da nova redação atribuída ao art. 840, § 1º, da CLT pela Lei nº 13.467/2017, bem assim do disposto no art. 12, § 2°, da Instrução Normativa TST n° 41/2018, consolidou-se no sentido de que os valores mencionados na petição inicial são meramente estimativos, de modo que não há de se falar em limitação da condenação ao quantum indicado pela parte, entendimento que, in casu , foi observado pelo Tribunal Regional. Estando, portanto, a decisão recorrida em consonância com a jurisprudência pacífica desta Corte, o trânsito do recurso de revista não ultrapassa os obstáculos do art. 896, § 7º, da CLT e da Súmula nº 333 do TST. Diante da aplicação da referida Súmula, fica reconhecida a transcendência, nos moldes do art. 896-A, § 1º, da CLT. Agravo de instrumento conhecido e não provido. (Tribunal Superior do Trabalho (6ª Turma). Acórdão: 1001396-89.2022.5.02.0083. Relator(a): ANTONIO FABRICIO DE MATOS GONCALVES. Data de julgamento: 19/03/2025. Juntado aos autos em 24/03/2025.)
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