JurisprudênciaIA

Tribunal Superior do Trabalho

Agravo em Recurso de Revista 1000414-35.2022.5.02.0064

Relator(a)
Douglas Alencar Rodrigues
Órgão julgador
5ª Turma
Data do julgamento
03/09/2025
Data de publicação
11/09/2025

TST – Agravo em Recurso de Revista 1000414-35.2022.5.02.0064, Rel. Douglas Alencar Rodrigues, 5ª Turma, j. 03/09/2025, p. 11/09/2025

Ementa

EMENTA: AGRAVO EM RECURSO DE REVISTA. REGIDO PELA LEI 13.467/2017. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. AGENTE FRIO. FORNECIMENTO E USO DE EPI ELIMINADOR DA INSALUBRIDADE NÃO CONSTATADO. SÚMULA 126/TST. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA. 1. Caso em que, mediante decisão monocrática, deu-se provimento ao recurso de revista da obreira para condenar a Reclamada ao pagamento do adicional de insalubridade, por ser irrelevante o tempo de exposição do empregado ao frio durante a jornada de trabalho (Súmula 47/TST). 2. A Reclamada insurge-se contra a decisão, aduzindo que a exposição ao agente insalubre frio, mediante acesso à câmara fria por pequena fração da jornada de trabalho e com a utilização de japona térmica, não enseja o pagamento do adicional de insalubridade . 3. A insalubridade causada pela exposição ao frio é regulamentada pela NR nº 15, em seu anexo nº 9, que diz o seguinte: " As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho ". A leitura atenta da norma permite extrair dois elementos importantes. O primeiro é evidente: a proteção adequada afasta a insalubridade, o que só corrobora o disposto no art. 191 da Consolidação. Já o segundo, apesar de implícito, é de fácil compreensão: a análise da insalubridade é de cunho qualitativo, e não quantitativo, considerando que inexiste na norma qualquer menção a limite de tempo de exposição ao agente insalubre. Julgados. No caso presente, consta do acórdão regional que a Reclamante " adentrava em câmara fria 5 vezes ao dia com permanência de 2 minutos” e “em câmara congelada, uma vez, por dia, com permanência de 3 minutos ”, fazendo “ uso de jaqueta de proteção, conforme constatado pela visita, in loco, do expert ”. Inexiste registro de que a Reclamante fazia uso de equipamentos de proteção individual adequados à neutralização do agente insalubre e tampouco a Agravante instou a Corte de origem a se manifestar sobre tal premissa, carecendo a discussão, neste particular, do devido prequestionamento (Súmula 297/TST). O cotejo dessas premissas fáticas permite concluir que algum EPI era fornecido, mas inequívoco que a insalubridade inerente ao ambiente frio não era integralmente neutralizada, sobretudo porque as mãos e a cabeça da trabalhadora ficavam desprotegidas, especialmente as vias respiratórias, tão sensíveis às variações bruscas de temperatura. A alteração da conclusão adotada demandaria o revolvimento do quadro fático probatório, procedimento vedado nesta esfera recursal extraordinária, nos termos da Súmula 126/TST. Agravo não provido, com acréscimo de fundamentação . (Tribunal Superior do Trabalho (5ª Turma). Acórdão: 1000414-35.2022.5.02.0064. Relator(a): DOUGLAS ALENCAR RODRIGUES. Data de julgamento: 03/09/2025. Juntado aos autos em 11/09/2025.)
Consultar o inteiro teor no site do TST ↗

Decisões similares

Encontradas por similaridade semântica das ementas.

Recurso de Revista 1001410-50.2022.5.02.0511

1ª Turma · Rel. Luiz Jose Dezena da Silva · j. 27/08/2025

EMENTA: RECURSO DE REVISTA. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. LABOR EM CÂMARA FRIA. AGENTE INSALUBRE FRIO. TEMPO DE EXPOSIÇÃO. COMPROVADA A ENTREGA DE EPIs AO EMPREGADO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N.º 126 DO TST. AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO . No caso dos autos, o Tribunal Regional manteve o indeferimento do pedido do reclamante, aos fundamentos de que as atividades laborais não o expunham a agentes insalubres. Consta na decisão Recorrida que, segundo o exper…

Agravo 0020706-50.2023.5.04.0102

5ª Turma · Rel. Breno Medeiros · j. 24/09/2025

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA. O e. TRT, com base nas provas dos autos, manteve a condenação da reclamada ao pagamento do adicional de insalubridade, a concluir que houve “ o ingresso habitual da autora nas câmaras frias e a não disponibilização regular de EPIs contra o frio”. Consignou, ainda, que “o mero fornecimento de jaqueta térmica -…

Agravo 0010242-14.2024.5.03.0084

5ª Turma · Rel. Breno Medeiros · j. 24/09/2025

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. TRABALHO EM CÂMARA FRIA. SÚMULA Nº 126 DESTA CORTE. TEMA REPETITIVO Nº 80. AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA . “ O trabalho realizado no interior de câmaras frigoríficas ou ambiente artificialmente frio em condições similares, sem a concessão da pausa para recuperação térmica prevista no art. 253 da CLT, gera direito ao adicional de insalubrid…

Agravo 0010835-30.2023.5.03.0132

3ª Turma · Rel. Alberto Bastos Balazeiro · j. 12/02/2025

EMENTA: AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. APLICAÇÃO DO ÓBICE DA SÚMULA Nº 126, DO TST. 1. O Tribunal Regional, com fundamento na análise do conjunto fático-probatório, especialmente na perícia técnica, concluiu que a reclamante estava exposta de forma diária e habitual ao agente "frio" ao trabalhar em câmara frigorífica com temperatura de +1,2°C, sem o fornecimento de EPIs adequados para neutralização do risco. 2. Diante da ausênci…

Agravo em Agravo de Instrumento em Recurso de Revista 1001361-11.2022.5.02.0381

5ª Turma · Rel. Morgana de Almeida Richa · j. 27/08/2025

EMENTA: AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 126 DO TST. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. 1. A finalidade precípua desta Corte Superior, na uniformização de teses jurídicas, não autoriza a revisão do conjunto fático-probatório já analisado pelo Tribunal Regional, na esteira do entendimento consolidado pela Súmul…

Pesquise jurisprudência como esta

Busque em dezenas de tribunais brasileiros, com busca inteligente por IA e comparação de precedentes.