Súmula 246 do STF
“Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF
Não. A Súmula 246 do STF estabelece que, comprovada a ausência de fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos. O elemento essencial do delito é o engano deliberado; sem a intenção fraudulenta, o episódio permanece no campo do inadimplemento civil.
A emissão de cheque sem provisão de fundos só é crime quando acompanhada de fraude, ou seja, quando o emitente induz o beneficiário em erro para obter vantagem indevida. É essa má-fé que distingue o ilícito penal da simples dívida não paga.
Comprovado que não houve fraude, como em situações nas quais o credor conhecia a falta de fundos ou o cheque servia como garantia de pagamento futuro, o fato é atípico na esfera penal, segundo a orientação sumulada.
A descaracterização do crime não apaga a dívida: o valor do cheque continua exigível pelas vias cíveis, como a execução do título ou a ação de cobrança. O que a súmula afasta é a resposta penal quando falta o elemento fraudulento.
A prova da existência ou não de fraude depende das circunstâncias de cada emissão, e os tribunais examinam esse ponto caso a caso, à luz do contexto da relação entre as partes.
“Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos.”
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