JurisprudênciaIA

Lei estadual pode conceder porte de arma de fogo de forma incondicionada a agentes penitenciários?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Não. Segundo entendimento do STF divulgado no Informativo 1016, é inconstitucional norma estadual que concede porte de arma de fogo de forma incondicionada a agentes penitenciários, porque legislar sobre direito penal e material bélico é competência privativa da União (art. 22, I e XXI, da Constituição). O Estado não pode criar essa autorização por conta própria.

Por que a lei estadual é inconstitucional

A Constituição reserva à União, de forma privativa, a competência para legislar sobre direito penal e sobre material bélico. O porte de arma de fogo se insere exatamente nessas matérias, já que envolve tanto a disciplina de armas quanto reflexos penais diretos, como a definição de quando o porte é lícito.

Quando um Estado edita lei concedendo porte incondicionado a agentes penitenciários, ele invade esse espaço normativo federal. O vício apontado pelo STF é formal, de competência: não se discute o mérito de os agentes merecerem ou não o porte, mas quem pode criar a regra.

O que isso significa na prática

O ponto central do entendimento é a concessão de forma incondicionada por norma estadual, isto é, sem observância do regime federal que disciplina o tema. Eventual porte por agentes penitenciários deve seguir as condições fixadas pela legislação da União, e não regras criadas isoladamente por cada Estado.

Leis estaduais com esse conteúdo ficam sujeitas a declaração de inconstitucionalidade, e atos praticados com base nelas podem ser questionados. Os tribunais examinam caso a caso os efeitos concretos dessas declarações.

O que dizem os tribunais

Informativo 1086 do STF · ADI 5.076

É inconstitucional — por violar a competência privativa da União para legislar sobre direito penal e material bélico (CF/1988, art. 22, I e XXI) — norma estadual que concede, de forma incondicionada, o porte de arma de fogo a agentes penitenciários.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

AG.REG. NO HABEAS CORPUS 270.691

Segunda Turma · Rel. GILMAR MENDES · j. 01/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental no habeas corpus. Falta grave. Absolvição. Descabimento. Depoimentos de agentes penitenciários. Admissibilidade. Agravo regimental desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão em que deneguei a ordem de habeas corpus por reputar inexistente ilegalidade manifesta ou constrangimento ilegal passível de correção pela via estreita do mandamus. II. Questão em discussão 2. Discute-se, no caso: (i) a absolviçã…

RHC 270.941

Primeira Turma · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 25/05/2026

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. RECEPTAÇÃO, PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E DISPARO DE ARMA DE FOGO. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL ESTADUAL NEM PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DUPLA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (RHC 2…

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.551.674

Segunda Turma · Rel. DIAS TOFFOLI · j. 06/08/2025

EMENTA Agravo regimental em recurso extraordinário. Guardas civis municipais de Araraquara. Porte de arma de fogo. Necessidade de autorização municipal. Artigo 144, § 8º, da Constituição Federal. Reconhecimento das guardas municipais como órgão de segurança pública. Legítima opção do Congresso Nacional ao instituir o Sistema Único de Segurança Pública (Lei nº 13.675/18). Observância do entendimento firmado nos julgamentos da ADPF nº 995/DF, das ADI nºs 5.538/DF e 5.948/DF e d…

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 7.575

Tribunal Pleno · Rel. ANDRÉ MENDONÇA · j. 17/03/2025

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA PRIVATIVA DA UNIÃO. PORTE DE ARMAS DE FOGO. LEI ESTADUAL QUE RECONHECE O RISCO DA ATIVIDADE E A NECESSIDADE DO PORTE PARA ATIRADORES DESPORTIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Presidente da República contra a Lei nº 1.670/2022 do Estado de Roraima, que reconhece o risco da atividade e a necessidade do porte de arm…

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.581

Tribunal Pleno · Rel. NUNES MARQUES · j. 27/11/2024

EMENTA CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. NORMA ESTADUAL. INVESTIGADORES DE POLÍCIA, AGENTES DA POLÍCIA CIVIL E AGENTES PENITENCIÁRIOS. GRATIFICAÇÃO MENSAL PELA GUARDA DE PRESOS. VERBA REMUNERATÓRIA INSTITUÍDA SOB A FORMA DE GRATIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 37, V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MISSÃO CONSTITUCIONAL DA POLÍCIA CIVIL (CF, ART. 144, § 4º). GUARDA, CUSTÓDIA E ESCOLTA DE PRESO. FUNÇÃO EXCEPCIONAL E TEMPORARIAMENTE DESEMPENHADA POR AGENTES DA POLÍCIA CIVIL EM RE…

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 7.627

Tribunal Pleno · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 07/11/2024

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N. 12.786/2007, DO RIO GRANDE DO SUL. PORTE DE ARMA DE FOGO PELOS SERVIDORES DO INSTITUTO-GERAL DE PERÍCIAS, ÓRGÃO DA SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO. COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE MATERIAIS BÉLICOS: MATÉRIA AFETA A PORTE DE ARMAS. SEGURANÇA PÚBLICA. INTERESSE GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. PRECEDENTES. AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE. 1. O processo está instruído nos termos do art. 10 da Lei n. 9.868…

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