JurisprudênciaIA

Lei estadual pode proibir rinha de galos e multar todos os participantes do evento?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim. O STF, conforme o Informativo 539, considerou constitucional a norma estadual que, ao instituir Código de Proteção aos Animais, proíbe a rinha de galos e fixa multa a todos os participantes do evento. A lei respeita a repartição de competências e concretiza a vedação constitucional à submissão de animais a atos de crueldade (art. 225, § 1º, VII).

Fundamento constitucional da proibição

A Constituição veda, em cláusula genérica, qualquer forma de submissão de animais a atos de crueldade (art. 225, § 1º, VII). A rinha de galos foi enquadrada nessa vedação, e a lei estadual que a proíbe apenas concretiza o comando constitucional de proteção à fauna.

O STF também afastou o argumento de invasão de competência: a norma estadual respeita as regras constitucionais de repartição de competências, cabendo ao Estado legislar sobre proteção ao meio ambiente e à fauna dentro desse arranjo federativo.

Multa a todos os participantes

Um ponto relevante da decisão é a validade da multa aplicada a todos os envolvidos no evento, e não apenas ao organizador. Essa penalidade administrativa vale independentemente da responsabilidade civil e penal individualmente imputável a cada participante, ou seja, as esferas de responsabilização são autônomas.

Na prática, quem participa de rinha de galos em estado com lei desse tipo pode ser multado administrativamente e ainda responder nas esferas civil e criminal, conforme a conduta de cada um, o que é apurado caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 1152 do STF · ADI 7.056

É constitucional — pois respeita as regras de repartição de competência e concretiza a proteção referente à vedação, em cláusula genérica, a qualquer forma de submissão de animais a atos de crueldade (CF/1988, art. 225, § 1º, VII) — norma estadual que, ao instituir o Código de Proteção aos Animais, proíbe a prática de rinha de galos e fixa multas a todos os participantes envolvidos no evento, independentemente da responsabilidade civil e penal individualmente imputável a cada um.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

RE 1.586.172

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 16/03/2026

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E AMBIENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. LEI MUNICIPAL QUE PROÍBE ATIVIDADES DESPORTIVAS COM ANIMAIS COM EMISSÃO DE POULES DE APOSTAS. CONFLITO COM LEGISLAÇÃO FEDERAL QUE AUTORIZA E DISCIPLINA A ATIVIDADE TURFÍSTICA. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO PARA SISTEMAS DE CONSÓRCIOS E SORTEIOS. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Recurso extraordinário contra acórdão do Órgão Especial do Tribunal de…

RE 1.431.558

Tribunal Pleno · Rel. Gilmar Mendes · j. 25/08/2025

Direito administrativo e outras matérias de direito público. Recurso extraordinário. Unidade de Conservação. Inconstitucionalidade formal. Ausência de consulta pública. Inconstitucionalidade material. Retrocesso ambiental. Recurso desprovido. I. Caso em exame 1. Recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia que declarou a inconstitucionalidade da Lei Complementar Estadual 918/2016, que redefiniu os limites geográficos da Área de Proteção Ambie…

RE 1.551.297

Segunda Turma · Rel. Dias Toffoli · j. 25/06/2025

EMENTA Agravo regimental em recurso extraordinário. Direito constitucional e processual penal. Crime ambiental. Destruição de vegetação secundária em estágio médio de regeneração do bioma mata atlântica. Espécie ameaçada de extinção. Incompetência da Justiça Federal. Ausência de interesse direto da União. Necessidade de transnacionalidade da conduta. Tema nº 648-RG. Competência da Justiça Estadual. Precedentes. Agravo regimental não provido. 1. Cuida-se de agravo regimental i…

ADI 6.799

Tribunal Pleno · Rel. Cristiano Zanin · j. 04/06/2025

EMENTA: Direito Constitucional e Administrativo. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei complementar estadual que estabelece limite etário máximo para ingresso na carreira de membro do Ministério Público Estadual. Inconstitucionalidade material. Proibição de adoção de critério diferenciado para admissão no serviço público quando a natureza do cargo não o exigir. Ação direta julgada parcialmente procedente. Modulação de efeitos. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitu…

ADI 7.725

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 26/05/2025

Ementa: Direito constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei estadual nº 3.533/2019, do Estado do Tocantins. Suspensão dos serviços públicos de energia elétrica e água por inadimplemento dos usuários. Competência da União e dos Municípios. inconstitucionalidade. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade em face do art. 1º da Lei estadual nº 3.533, de 2019, do Estado do Tocantins, que dispõe sobre a proibição de corte no fornecimento de energia elét…

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Ementa: Direito Constitucional e Administrativo. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei complementar estadual que estabelece limite etário máximo para ingresso na carreira de membro do Ministério Público Estadual. Inconstitucionalidade material. Proibição de adoção de critério diferenciado para admissão no serviço público quando a natureza do cargo não o exigir. Ação direta julgada parcialmente procedente. Modulação de efeitos. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitu…

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