JurisprudênciaIA

Oferecer dinheiro a policial para evitar flagrante de porte de droga para uso próprio é corrupção ativa?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. O STJ, em informativo de jurisprudência, firmou que oferecer vantagem indevida a policial para que omita ou retarde ato de ofício ligado ao porte de drogas para uso próprio configura corrupção ativa (art. 333 do CP). O porte para consumo continua sendo crime, apenas despenalizado, e o policial tem ato de ofício obrigatório a cumprir.

O porte para uso próprio continua sendo crime

A premissa central do julgado é que o art. 28 da Lei de Drogas não foi descriminalizado, mas apenas despenalizado: deixou de prever pena privativa de liberdade, mas a conduta permanece criminosa. Esse entendimento acompanha a posição do STF no RE 430.150 e a jurisprudência consolidada do próprio STJ.

Por consequência, ao abordar alguém com droga para consumo pessoal, o policial tem ato de ofício a praticar: conduzir o autor do fato ao juízo competente ou à delegacia, lavrar termo circunstanciado e requisitar exames e perícias, conforme o art. 48, §§ 2º e 3º, da Lei n. 11.343/2006.

Quando a corrupção ativa se consuma

O crime do art. 333 do CP se consuma com o simples oferecimento ou promessa de vantagem indevida para que o funcionário pratique, omita ou retarde ato de ofício. Não é necessário que o policial aceite o dinheiro nem que o ato deixe efetivamente de ser praticado.

Se o funcionário chega a retardar ou omitir o ato, ou o pratica violando dever funcional, incide ainda a causa de aumento do parágrafo único do art. 333 do CP, agravando a situação de quem ofereceu a vantagem.

O que isso significa na prática

Quem é flagrado com droga para uso próprio responde por infração de tratamento penal brando, mas, ao tentar subornar o policial, comete crime muito mais grave, com pena de reclusão. A configuração concreta da corrupção ativa, como a prova do oferecimento e do contexto da abordagem, é examinada caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 735 do STJ · RE 430.150

Configura o crime de corrupção ativa o oferecimento de vantagem indevida a funcionário público para determiná-lo a omitir ou retardar ato de ofício relacionado com o cometimento do crime de posse de drogas para uso próprio.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca · j. 24/06/2026

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Quinta Turma · Rel. Ministra Maria Marluce Caldas · j. 17/06/2026

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PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. DROGA FRACIONADA EM 15 PORÇÕES. APREENSÃO DE DINHEIRO. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. VALIDADE DOS DEPOIMENTOS POLICIAIS. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus impetrado par…

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