Informativo 719 do STJ · HC 560.552
“As qualificadoras de homicídio fundadas exclusivamente em depoimento indireto ( Hearsay Testimony) , violam o art. 155 do CPP, que deve ser aplicado aos veredictos condenatórios do Tribunal do Júri.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. Para o STJ, qualificadoras de homicídio fundadas exclusivamente em depoimento indireto, o chamado testemunho de ouvir dizer (hearsay testimony), violam o art. 155 do CPP, que se aplica também aos veredictos condenatórios do tribunal do júri. É preciso haver prova produzida em juízo, sob contraditório, sobre cada elemento essencial do crime.
Havia entendimento de que o art. 155 do CPP não se aplicaria aos veredictos do júri, porque o sistema de convicção íntima impediria saber quais provas motivaram a condenação. O STJ reviu essa posição: se o dispositivo incide até sobre a pronúncia, negar sua aplicação à condenação definitiva exigiria padrão probatório mais rígido para admitir a acusação do que para condenar, o que é incoerente.
A distinção central é entre prova e elemento informativo. Prova é o que se produz no processo judicial, sob contraditório; o que se colhe no inquérito são apenas elementos de informação, insuficientes, por si sós, para sustentar condenação ou qualificadora.
Embora os jurados não motivem seus votos, os tribunais, ao julgar apelações da defesa, precisam indicar se existem provas judicializadas capazes de demonstrar cada elemento essencial do crime, incluindo as qualificadoras.
Se o acórdão apontar apenas indícios do inquérito para determinado elemento, ou há omissão na análise da prova, ou a prova realmente não existe, e nesse caso a condenação viola o art. 155 do CPP. A aferição é feita caso a caso, à luz do conjunto probatório de cada processo.
“As qualificadoras de homicídio fundadas exclusivamente em depoimento indireto ( Hearsay Testimony) , violam o art. 155 do CPP, que deve ser aplicado aos veredictos condenatórios do Tribunal do Júri.”
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