JurisprudênciaIA

Reinquirição de testemunha após o processo subir ao STF anula a pronúncia do réu?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Conforme o STJ, em informativo de jurisprudência, a reinquirição de testemunha de defesa na fase de diligências da ação penal originária, prevista no art. 10 da Lei 8.038/1990, não implica declaração implícita de nulidade da pronúncia proferida quando o réu ainda não tinha prerrogativa de foro. Há apenas mudança de rito, sem anular os atos anteriores.

Diplomação e mudança de rito

No caso examinado, o réu, acusado de homicídio com dolo eventual, foi diplomado deputado federal, e os autos subiram ao STF. Com isso, o processo passou a seguir o rito das ações penais originárias da Lei 8.038/1990, que prevê uma fase de diligências antes das alegações escritas.

Para o STJ, essa alteração de procedimento não acarreta a nulidade dos atos praticados pelo juízo até então competente, incluindo a pronúncia. A diferença entre os ritos é apenas procedimental: o rito do júri não prevê a mesma etapa de diligências na primeira fase, o chamado sumário da culpa.

Por que a reinquirição não anula a pronúncia

O tribunal observou que a fase de diligências determinada pelo STF equivale, no rito do júri, às providências dos arts. 422 e 423 do CPP, que ocorrem justamente na segunda fase, depois da pronúncia, para sanar nulidades ou esclarecer fatos relevantes ao julgamento. Ou seja, a medida foi antecipada por exigência do novo rito, não por vício do ato anterior.

Na prática, quem pretende anular uma pronúncia precisa apontar vício concreto no próprio ato, e não apenas a repetição de prova em fase posterior. Os tribunais examinam alegações de nulidade caso a caso, exigindo demonstração de prejuízo.

O que dizem os tribunais

Informativo 709 do STJ

A reinquirição de testemunha de defesa, na fase de diligências da ação penal originária, consoante o art. 10 da Lei n. 8.038/1990, não implica a implícita declaração de nulidade da pronúncia, proferida quando não havia prerrogativa de foro.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 15/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Foro por prerrogativa de função. Investigações penais originárias.Supervisão judicial obrigatória. Nulidade dos atos investigatórios prévios. Agravo regimental improvido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra decisão monocrática que concedeu a ordem de habeas corpus de ofício para anular investigação criminal instaurada e conduzida sem a supervisão do T…

Acórdão

j. 12/05/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRONÚNCIA. INDEFERIMENTO DE REINQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHAS. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, aplicando a Súmula n. 568/STJ, nega…

Acórdão

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Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior · j. 07/04/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PECULATO. FRAUDE À LICITAÇÃO. LAVAGEM DE DINHEIRO. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. SECRETÁRIO DE ESTADO E DEPUTADO ESTADUAL LICENCIADO À ÉPOCA DOS FATOS. CRIMES FUNCIONAIS, VINCULADOS AO CARGO. INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO SINGULAR. NULIDADE DO PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL E DA AÇÃO PENAL. PROVAS DERIVADAS. PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL ACOLHIDO.1. A orientação do Supremo Tribunal Federal firmou que o foro por prerrogativa d…

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Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 24/09/2025

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