JurisprudênciaIA

Portar 23 gramas de maconha para consumo próprio é crime depois da decisão do STF?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Portar 23 gramas de maconha para consumo próprio é conduta atípica na esfera penal. Aplicando o Tema 506 do STF (RE 635.659), o STJ reconheceu a atipicidade, extinguiu a punibilidade e determinou a remessa dos autos ao Juizado Especial Criminal, onde a conduta é apurada apenas como ilícito administrativo, sem qualquer efeito penal.

O que o STF decidiu no Tema 506

O STF fixou que não comete infração penal quem adquire, guarda, tem em depósito, transporta ou traz consigo cannabis para consumo pessoal. A conduta permanece ilícita apenas na esfera extrapenal, com apreensão da droga e sanções de advertência e medida educativa, aplicadas pelo juiz em procedimento de natureza não penal, sem repercussão criminal.

Até que o Congresso legisle, presume-se usuário quem porta até 40 gramas de cannabis ou seis plantas fêmeas para consumo próprio. Como 23 gramas ficam bem abaixo desse patamar, a presunção de uso pessoal se aplica diretamente.

O que acontece com quem é flagrado

A autoridade policial apreende a substância e notifica o autor do fato para comparecer em juízo. Enquanto o CNJ não regulamentar o procedimento, a competência para julgar essas condutas é dos Juizados Especiais Criminais, vedada a atribuição de efeitos penais à sentença.

Na prática, processos criminais em curso por posse de pequena quantidade de maconha para consumo próprio tendem ao reconhecimento da atipicidade e à extinção da punibilidade. A destinação da droga (consumo próprio ou tráfico) continua sendo examinada caso a caso pelos tribunais, à luz das circunstâncias da apreensão.

O que dizem os tribunais

Informativo 823 do STJ · RE 635.659

É atípica a conduta de possuir 23 gramas de maconha para consumo pessoal, devendo o ilícito administrativo ser apurado no Juizado Especial Criminal, conforme decidido pelo STF no RE 635.659/SP.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior · j. 11/06/2026

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j. 27/05/2026

Direito penal e processual penal. Agravo regimental NO AGRAVO em recurso especial. Tráfico de drogas. Violação de domicílio. Fundadas razões. POSSIBILIDADE. Desclassificação para uso próprio. Óbice da Súmula n. 7/STJ. Agravo regimental desprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negou-lhe provimento em ação penal relativa ao crime previ…

Acórdão

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PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. REVISÃO CRIMINAL QUE NÃO SE PRESTA À REDISCUSSÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO NEM PODE SER UTILIZADA COMO SEGUNDA APELAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA DE USO PESSOAL FIXADA NO TEMA N. 506/STF. NÃO INCIDÊNCIA AUTOMÁTICA. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CONTEXTO PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.1. A revisão criminal possui cabimento restrito às hipóteses ta…

Acórdão

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DIREITO PENAL E EXECUÇÃO PENAL. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. POSSE DE DROGAS PARA USO PESSOAL EM ESTABELECIMENTO PRISIONAL. CONFIGURAÇÃO DE FALTA DISCIPLINAR GRAVE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que deu provimento ao recurso especial do Ministério Público, reconhecendo a ocorrência de falta disciplinar de natureza grave pela posse de porções de maconha no interior de estabelecimento prisional…

Acórdão

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