JurisprudênciaIA

A polícia pode acessar chip de celular descartado pelo suspeito na rua sem autorização judicial?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, na hipótese analisada pelo STJ (Informativo de Jurisprudência), o acesso ao chip telefônico descartado pelo acusado em via pública não configura quebra de sigilo telefônico. O objeto abandonado durante a fuga foi apreendido e inserido em outro aparelho apenas para identificar a vítima, sem extração de dados do celular do suspeito.

O contexto que legitimou a medida

No caso julgado, policiais presenciaram um roubo em via pública e perseguiram os autores, que fugiram. Durante a fuga, o acusado dispensou um simulacro de arma, um celular e um chip de operadora, todos encontrados na rua. Como havia flagrante e fundada suspeita, o STJ afastou a alegação de nulidade da busca pessoal, lembrando que o art. 244 do CPP dispensa mandado nessas situações.

O chip descartado foi inserido pela polícia em outro aparelho apenas para identificar a vítima lesada, o que de fato ocorreu: o chip pertencia a uma das vítimas do roubo.

O limite da decisão: chip não é o mesmo que celular

O ponto central é que o aparelho celular não foi examinado e nenhum dado dele foi extraído. A análise recaiu somente sobre o chip descartado, que era da vítima. O próprio julgado ressalva que a hipótese seria distinta se os policiais tivessem acessado o celular e retirado informações usadas contra o acusado.

Na prática, portanto, a decisão não autoriza acesso irrestrito a dispositivos apreendidos: a validade do acesso a aparelhos e dados depende das circunstâncias concretas, e os tribunais examinam cada situação caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 744 do STJ · AREsp 1.403.409

Chip telefônico. Descarte em via pública. Acesso. Quebra do sigilo telefônico. Inocorrência. O acesso ao chip telefônico descartado pelo acusado em via pública não se qualifica como quebra de sigilo telefônico. De início, ressalta-se que "nos termos do art. 244 do CPP, a busca pessoal independerá de mandado quando houver prisão ou fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida, objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou ainda quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar." (AgRg no AREsp 1403409/RS, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/03/2019, DJe 04/04/2019). No caso, os policiais visualizaram o delito de roubo sendo pr…”Ler na íntegra

Chip telefônico. Descarte em via pública. Acesso. Quebra do sigilo telefônico. Inocorrência. O acesso ao chip telefônico descartado pelo acusado em via pública não se qualifica como quebra de sigilo telefônico. De início, ressalta-se que "nos termos do art. 244 do CPP, a busca pessoal independerá de mandado quando houver prisão ou fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida, objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou ainda quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar." (AgRg no AREsp 1403409/RS, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/03/2019, DJe 04/04/2019). No caso, os policiais visualizaram o delito de roubo sendo praticado por diversos indivíduos em via pública e perseguiram os assaltantes, que empreenderam fuga. Após contínua perseguição, o paciente foi alcançado. Assim, não há se falar em nulidade da busca pessoal quando o acusado é preso em flagrante impróprio, pois indubitavelmente há fundada suspeita do cometimento do delito na hipótese. Verifique-se que, durante a fuga, o acusado dispensou um simulacro de arma de fogo, um aparelho celular e um chip de operadora de telefonia, objetos esses encontrados em via pública. Conforme vivência prática, relataram os policias militares que é muito comum a retirada do chip dos celulares roubados, para dificultar a identificação dos proprietários. Assim sendo, apreendido o chip descartado pelo acusado, houve a inserção em outro aparelho telefônico pela polícia para fins de possível identificação da vítima lesada, o que de fato ocorreu. Ocorre que a vítima não era proprietária do celular descartado, mas somente do chip . A defesa sustenta que o aparelho pertencia ao próprio acusado. Atente-se, porém, que o aparelho telefônico não foi examinado. Assim, ainda que o celular seja de propriedade do acusado, saliente-se que não houve extração de nenhum dado do aparelho, pois o alvo de análise foi apenas o chip telefônico descartado, que de fato era de uma das vítimas. Hipótese distinta seria se o celular fosse acessado pelos policiais e alguma informação retirada e utilizada em desfavor do acusado, o que não ocorreu. Dessa forma, torna-se inócua a tese defensiva no sentido de suposta violação de sigilo telefônico, afinal, não encontra amparo no contexto fático narrado nos autos.

Decisões recentes sobre o tema

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Acórdão

Terceira Seção · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 16/06/2026

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j. 27/05/2026

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j. 27/05/2026

Direito processual penal. Agravo regimental em recurso ordinário em habeas corpus. Quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico.Ausência de prova pré-constituída e de demonstração da atualidade do constrangimento. Inadequação da via eleita. Agravo regimental IMprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que rejeitou embargos de declaração e manteve o não provimento de recurso ordinário em habeas corpus, por meio do qual se buscava o re…

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DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO JUDICIAL DE QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO E TELEMÁTICO. PROVA DIGITAL EXTRAÍDA DE APARELHO CELULAR. CADEIA DE CUSTÓDIA. ALEGADO FISHING EXPEDITION. NULIDADES NÃO CONFIGURADAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negara provimento a recurso ordinário em habeas corpus, por meio do qual se buscava reconhecer a nulidade …

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Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 13/05/2026

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