JurisprudênciaIA

Ambulância de suporte básico do SAMU precisa ter profissional de enfermagem na tripulação?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ decidiu, no Tema 1024, que as Ambulâncias de Suporte Básico (Tipo B) e as Unidades de Suporte Básico de Vida Terrestre do SAMU podem circular sem enfermeiro a bordo. A tripulação mínima é de um motorista e um técnico ou auxiliar de enfermagem, o que, segundo o tribunal, concretiza a Lei 7.498/1986 em vez de violá-la.

Por que o enfermeiro não é obrigatório no suporte básico

A ambulância Tipo B e a Unidade de Suporte Básico de Vida Terrestre são veículos equivalentes, destinados ao transporte inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido e ao atendimento pré-hospitalar de pacientes sem classificação de gravidade que potencialmente exija intervenção médica. Para esses casos de menor complexidade, a normatização do Ministério da Saúde (Portarias 2.048/2002 e 1.010/2012) exige tripulação mínima de dois profissionais: um motorista e um técnico ou auxiliar de enfermagem.

O STJ entendeu que essa composição não ofende a Lei 7.498/1986, que reserva ao enfermeiro os cuidados diretos a pacientes graves e de maior complexidade técnica. Como o suporte básico atende justamente pacientes que não estão em estado grave, é suficiente o técnico ou auxiliar, que atua sob orientação e supervisão de enfermeiro presente na Central de Regulação Médica de Urgência, sem necessidade de presença física no veículo.

Quando o enfermeiro entra na equipe

Quem define o tipo de veículo enviado é o médico da Central de Regulação, após avaliar a gravidade e a urgência do chamado. Para pacientes graves, com risco de morte ou que demandem cuidados de enfermagem de maior complexidade, a norma prevê o envio de ambulância Tipo D (Suporte Avançado), tripulada por no mínimo três profissionais: condutor, enfermeiro e médico. Nada impede, ainda, que o médico regulador decida enviar um enfermeiro na unidade básica em situações específicas, já que a norma fixa apenas a tripulação mínima.

O que isso significa na prática

A decisão afasta a tese de que toda ambulância do SAMU precisaria de enfermeiro embarcado, exigência que, segundo o STJ, inviabilizaria a circulação de cerca de 80% da frota e ofenderia a reserva do possível. Discussões sobre a composição de equipes em casos concretos, porém, continuam sendo examinadas pelos tribunais à luz da gravidade do atendimento e da regulação médica de cada chamado.

O que dizem os tribunais

Informativo 678 do STJ · Tema 1.024

A composição da tripulação das Ambulâncias de Suporte Básico - Tipo B e das Unidades de Suporte Básico de Vida Terrestre (USB) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU sem a presença de profissional de enfermagem não ofende, mas sim concretiza, o que dispõem os artigos 11, 12, 13 e 15 da Lei n. 7.498/1986, que regulamenta o exercício da enfermagem.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

j. 03/06/2026

ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONSELHO PROFISSIONAL. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. INDICAÇÃO DE RESPONSÁVEL TÉCNICO ENFERMEIRO. ALEGADA NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DECISÃO AGRAVADA E ACÓRDÃO DE ORIGEM EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.1. Agravo interno interposto por entidade de assistência à saúde contra decisão que, e…

Acórdão

Segunda Turma · Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze · j. 06/05/2026

AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. TEMA N. 1.399/STJ. AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA DO RECURSO COM O CITADO TEMA. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. GAT. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO RESCISÓRIO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DESCONSTITUIÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO. DEMANDA PREJUDICADA. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.1. A questão objeto do presente recurso não tem per…

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 04/05/2026

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. SAÚDE SUPLEMENTAR. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. TRANSPORTE POR AMBULÂNCIA. PACIENTE EM REGIME DE HOME CARE. PARALISIA IRREVERSÍVEL E TRAQUEOSTOMIA. NECESSIDADE DE DESLOCAMENTO PARA PROCEDIMENTOS EXTERNOS.1. Ação de obrigação de fazer voltada ao fornecimento de transporte por ambulância a beneficiário de plano de saúde de autogestão em sistema de internação domiciliar (home care), impossibilitado de locomoção autônoma e necessitado de procedimentos médi…

Acórdão

Segunda Turma · Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze · j. 29/04/2026

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. GRATIFICAÇÃO DE ATIVIDADE TRIBUTÁRIA (GAT). VANTAGEM PERMANENTE EXPRESSA EM LEI INTEGRANTE DOS VENCIMENTOS. TRANSMUTAÇÃO EM VENCIMENTO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO NA AR N. 6.436/DF. POSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO IMEDIATA DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO ÂMBITO DA PRIMEIRA SEÇÃO. DESNECESSIDADE DE SUSPENSÃO EM RAZÃO DO TEMA N. 1.399/STJ. AGRAV…

Acórdão

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Acórdão

Segunda Turma · Rel. Ministro Teodoro Silva Santos · j. 22/04/2026

PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. DESVIO DE FUNÇÃO. AUXILIAR DE ENFERMAGEM E ENFERMEIRO. CONTROVÉRSIA FÁTICO-PROBATÓRIA. REEXAME. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO EVIDENCIADO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A controvérsia reside na ausência de provas do exercício de atividades diversas das inerentes ao cargo, e não na distinção entre os cargos de auxiliar de enfermagem e …

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