JurisprudênciaIA

Banco com caixas eletrônicos sempre sem dinheiro e filas demoradas pode ser condenado por dano moral coletivo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Para o STJ, em informativo de jurisprudência, a prestação inadequada e reiterada de serviços bancários, com caixas eletrônicos inoperantes por falta de numerário e espera em filas acima do limite de lei municipal, caracteriza dano moral coletivo, com aplicação da teoria do desvio produtivo do consumidor. O simples descumprimento pontual da lei de filas, isoladamente, não basta.

Quando a espera em fila vira dano moral coletivo

O mero desrespeito à legislação local sobre tempo máximo de espera, por si só, não gera responsabilização por danos morais. O STJ exige a análise de outras circunstâncias: se a situação é reiterada, se há justificativa plausível para o atraso, se a violação do limite legal foi substancial, se a demora está associada a outras falhas do serviço e se o banco foi notificado para corrigi-las.

No caso das agências com caixas eletrônicos cronicamente sem dinheiro e filas excessivas, a soma desses fatores caracterizou lesão coletiva, e não mero aborrecimento individual.

A teoria do desvio produtivo do consumidor

O tempo útil do consumidor e seu máximo aproveitamento são tratados como interesses coletivos, ligados à função social da atividade produtiva e aos deveres de qualidade impostos aos fornecedores. A teoria do desvio produtivo fundamenta a responsabilização do fornecedor que faz o consumidor desperdiçar tempo vital, desviando-o de suas atividades existenciais.

O STJ já havia consignado que o desrespeito voluntário às garantias legais para otimizar lucro em prejuízo da qualidade do serviço ofende a boa-fé objetiva e configura lesão injusta e intolerável, suficiente para o dano moral coletivo.

O que isso significa na prática

Ações coletivas contra bancos por falhas estruturais de atendimento tendem a prosperar quando há prova de reiteração e de descaso após notificações, e não apenas episódios isolados de fila longa. Os tribunais examinam caso a caso o conjunto de circunstâncias antes de reconhecer a lesão coletiva.

O que dizem os tribunais

Informativo 726 do STJ · REsp 1.737.412

A inadequada prestação de serviços bancários, caracterizada pela reiterada existência de caixas eletrônicos inoperantes, sobretudo por falta de numerário, e pelo consequente excesso de espera em filas por tempo superior ao estabelecido em legislação municipal, é apta a caracterizar danos morais coletivos.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira · j. 15/06/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ESTACIONAMENTO PRIVADO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. FURTO DE BENS NO INTERIOR DO VEÍCULO. DANO MORAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULAS N. 83 E 130 DO STJ. SÚMULA N. 284/STF. AGRAVO DESPROVIDO.I. Razões de decidir1. Não há falar em culpa exclusiva da vítima quando o consumidor deposita sua confiança em estacionamento privado, o que atr…

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 15/06/2026

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. REPARO DE VEÍCULO SINISTRADO. DEMORA NO CONSERTO. ALEGADA FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. DANO MORAL. DESVIO PRODUTIVO DO CONSUMIDOR. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO.1. Não há violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem enfrenta suficientemente as questões relevantes ao julgamento, ainda que em sentido…

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministra Nancy Andrighi · j. 09/06/2026

DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VÍCIO DO PRODUTO. APARELHO CELULAR. PRODUTO ESSENCIAL. ART. 18, § 3º, CDC. NÃO CONFIGURAÇÃO. DANO MORAL COLETIVO. AFASTAMENTO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO.1. O propósito recursal consiste em definir se (i) o aparelho celular deve ser considerado "produto essencial", permitindo ao consumidor o uso imediato das alternativas de substituição do produto viciado, restituição da quantia paga ou abatimento prop…

Acórdão

j. 08/06/2026

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j. 01/06/2026

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CLÁUSULA DE RETENÇÃO. PERCENTUAL DE 20%. REANÁLISE FÁTICO- PROBATÓRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. DANO MORAL. DESVIO PRODUTIVO DO CONSUMIDOR. RECONHECIMENTO EM CONSONÂNCIA COM O CONTEXTO FÁTICO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E,…

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AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. TEORIA DO DESVIO PRODUTIVO DO CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282/STF. ACIDENTE DE CONSUMO. CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO. DANO MORAL. INEXISTÊNCIA RECONHECIDA NA ORIGEM. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ.1. A tese relativa à Teoria do Desvio Produtivo do Consumidor não foi objeto de debate e decisão pelo Tribunal de origem, carecendo do indispensável prequestionamento, o que at…

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