Informativo 887 do STJ
“A cláusula contratual que condiciona a cessão de crédito à anuência da administradora de consórcio é válida e eficaz, ainda que se trate de cota cancelada.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Sim. Conforme julgado do STJ divulgado em informativo, é válida e eficaz a cláusula do regulamento do consórcio que condiciona a cessão de crédito à anuência prévia da administradora, mesmo em cota cancelada. A cessão feita sem esse consentimento, quando o cessionário conhecia a restrição, é inválida, e a simples notificação não substitui a anuência.
O art. 286 do Código Civil permite a cessão de crédito, salvo se a natureza da obrigação, a lei ou a convenção com o devedor dispuserem em contrário. A cláusula proibitiva só não pode ser oposta ao cessionário de boa-fé quando não constar do instrumento da obrigação, o que não era o caso: a restrição estava expressa no regulamento do consórcio e era conhecida da cessionária.
O STJ também destacou que a lei não distingue entre cotas ativas, contempladas ou canceladas. Se o legislador não diferenciou, o intérprete não pode criar exceção, e a cláusula alcança igualmente os créditos de cotas canceladas.
Um ponto prático importante: notificar a administradora sobre a cessão não basta. A notificação é ato unilateral de ciência e não equivale à manifestação de vontade exigida contratualmente para autorizar a transferência de direitos e obrigações.
Admitir o contrário invalidaria cláusula livremente pactuada e imporia à administradora uma alteração substancial da relação jurídica, em ofensa à força obrigatória dos contratos. Quem pretende comprar crédito de cota de consórcio, portanto, deve verificar o regulamento e obter a anuência expressa da administradora antes do negócio.
“A cláusula contratual que condiciona a cessão de crédito à anuência da administradora de consórcio é válida e eficaz, ainda que se trate de cota cancelada.”
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