JurisprudênciaIA

Constituição estadual pode exigir autorização do tribunal de justiça para medidas cautelares criminais contra autoridades com foro?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Não. Conforme o entendimento do Informativo 604 do STF, é inconstitucional norma de Constituição estadual que condiciona pedidos de medida cautelar criminal contra autoridades com foro por prerrogativa de função à prévia autorização da maioria absoluta do órgão especial do tribunal de justiça, por violar a competência privativa da União, o sistema acusatório e a isonomia.

Os três fundamentos da inconstitucionalidade

Primeiro, a criação desse filtro prévio trata de direito penal e processual penal, matéria que o art. 22, I, da Constituição reserva privativamente à União. O constituinte estadual não pode inventar condições de procedibilidade para medidas cautelares criminais.

Segundo, a exigência afronta o sistema acusatório, ao submeter a atuação investigativa a uma autorização colegiada prévia não prevista na legislação federal. Terceiro, viola a isonomia (art. 5º, caput e LIII, da CF), pois cria para certas autoridades locais uma proteção processual que os demais cidadãos, e mesmo autoridades federais equivalentes, não possuem.

O que isso significa na prática

Medidas cautelares criminais contra autoridades estaduais com foro, como buscas e apreensões ou quebras de sigilo, seguem o regime da legislação processual penal federal, com decisão do relator competente, sem necessidade de aval prévio da maioria absoluta do órgão especial.

Dispositivos semelhantes em outras Constituições estaduais tendem a ser invalidados pelo mesmo fundamento, mas cada norma é examinada em seus próprios termos pelo STF.

O que dizem os tribunais

Informativo 1142 do STF · ADI 7.496

É inconstitucional — por violar a competência privativa da União para legislar sobre direito penal e processual penal (CF/1988, art. 22, I), o sistema acusatório e o princípio da isonomia (CF/1988, art. 5º, caput e LIII) — norma de Constituição estadual que condiciona à prévia autorização judicial, mediante decisão fundamentada da maioria absoluta do órgão especial do respectivo tribunal de justiça, o pedido de medida cautelar para fins de investigação criminal ou instrução processual penal em desfavor de autoridades com foro por prerrogativa de função.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.423.880

Segunda Turma · Rel. ANDRÉ MENDONÇA · j. 18/05/2026

DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. DENÚNCIA CONTRA PREFEITO PERANTE O TRIBUNAL DE JUSTIÇA. COLHEITA PRÉVIA DE ELEMENTOS DE CONVICÇÃO SEM SUPERVISÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO INSTAURADO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO SEM NATUREZA CRIMINAL. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO PROBATÓRIO. SÚMULA 279 DO STF. RECURSO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. I. CASO EM EXAME Agravo em recurso extraordinário interposto por Pref…

AG.REG. NO HABEAS CORPUS 241.558

Segunda Turma · Rel. DIAS TOFFOLI · j. 29/04/2026

EMENTA Agravo regimental em habeas corpus interposto pelo Ministério Público Federal. Direito penal e processual penal. Operação Ciconia. Procedimento de investigação. Suposta participação de autoridade com foro por prerrogativa de função (Prefeito do Município de Betim/MG). Investigação que tramitou desde o início sem autorização e supervisão do Tribunal de Justiça. Nulidade das diligências investigativas promovidas sem autorização e supervisão do TJMG. Determinação de arqui…

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.554.092

Segunda Turma · Rel. ANDRÉ MENDONÇA · j. 09/04/2026

Ementa: Direito constitucional e processual penal. Recurso extraordinário. Foro por prerrogativa de função. Prefeito municipal. Procedimento investigativo criminal. Investigação instaurada sem supervisão do tribunal competente. Violação ao art. 29, x, da constituição. Ofensa ao Princípio do Juiz Natural. Nulidade da investigação. Agravo regimental desprovido. I. CASO EM EXAME *. Agravo regimental no recurso extraordinário interposto contra decisão que deu provimento ao recurs…

REFERENDO NA MEDIDA CAUTELAR NA RECLAMAÇÃO 85.577

Segunda Turma · Rel. NUNES MARQUES · j. 09/03/2026

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. REFERENDO EM MEDIDA CAUTELAR EM RECLAMAÇÃO. DEPUTADO FEDERAL. INVESTIGAÇÃO. ALEGADO DESRESPEITO À PRERROGATIVA DE FORO. PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E PERIGO NA DEMORA. LIMINAR REFERENDADA. I. CASO EM EXAME 1. Reclamação em que se pretende, em caráter liminar, ante alegado desrespeito à prerrogativa de foro de Deputado Federal, considerado o decidido nas ADI 5.526 e ADPF 424, a suspensão da persecução penal e a remessa dos autos a…

AG.REG. NA RECLAMAÇÃO 76.831

Segunda Turma · Rel. GILMAR MENDES · j. 26/11/2025

Ementa: Direito processual penal. Reclamação. Foro por prerrogativa de função. Investigação criminal de Prefeito. Ausência de autorização e supervisão judicial. Agravo Regimental provido para julgar procedente a Reclamação. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou seguimento à reclamação. O reclamante sustenta, em síntese, que o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) deixou de observar precedentes do Supremo Tribunal Federal…

AG.REG. NA RECLAMAÇÃO 69.368

Segunda Turma · Rel. GILMAR MENDES · j. 07/05/2025

Ementa: Direito constitucional e direito processual penal. Agravo regimental na reclamação. Agravo regimental. Foro por prerrogativa de função. Investigação criminal. Nulidades. Supervisão judicial. Precedentes. Pedido não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que declarou a nulidade de atos investigatórios praticados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) antes da comunicação formal ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE…

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