A natureza do contrato e a possibilidade de desfazimento
O direito de sepultura em cemitério particular é regido pelo direito privado, com aplicação inclusive do Código de Defesa do Consumidor, e se assemelha a um direito real de uso do jazigo cedido pelo cemitério ao interessado. Como contrato privado, pode ser extinto antes de sua completa execução, e o STJ admite até que a própria parte inadimplente peça a resolução diante da insuportabilidade das prestações.
No caso analisado, o titular alegou não ter mais condições de pagar as taxas pactuadas e pediu o desfazimento do negócio, com retorno das partes à situação anterior.
A retenção pelo tempo de uso
Por outro lado, o STJ também vedou o enriquecimento sem causa do consumidor: não se admite usar o jazigo pelo período que se quiser e depois obter a devolução integral. A solução foi autorizar o cemitério a reter parte do valor pago, proporcionalmente ao tempo de uso efetivo do jazigo.
O percentual de retenção não é fixo: deve ser analisado em cada hipótese, e os tribunais examinam caso a caso o período de utilização e as condições do contrato.
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