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É inconstitucional o Código Penal Militar não prever qualificadoras para estupro de vulnerável com lesão grave ou morte?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim. O STF declarou inconstitucional a norma do Código Penal Militar que trata do estupro de vulnerável sem prever qualificadoras para os casos de lesão corporal grave, gravíssima ou morte. A omissão viola a dignidade da pessoa humana, a proteção integral de crianças, adolescentes e pessoas com deficiência, a vedação ao retrocesso e a proibição de proteção deficiente.

O fundamento da inconstitucionalidade

A decisão parte da premissa de que o legislador não pode proteger de forma insuficiente bens jurídicos de máxima relevância. Ao tipificar o estupro de vulnerável sem agravar a pena quando o crime resulta em lesão corporal grave, gravíssima ou morte, o Código Penal Militar deixava resultados mais graves sem resposta penal proporcional.

O STF apoiou-se em quatro eixos constitucionais: a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III), a proteção integral da criança e do adolescente (art. 227, caput), a proteção das pessoas com deficiência (art. 24, XIV) e os princípios da vedação ao retrocesso social e da proibição de proteção deficiente.

O que isso significa na prática

O reconhecimento da inconstitucionalidade afasta o tratamento mais brando que decorria da lacuna do Código Penal Militar, aproximando a resposta penal na esfera castrense do padrão de proteção exigido pela Constituição para vítimas vulneráveis.

Os efeitos concretos sobre processos em curso e sobre a pena aplicável em cada situação dependem do enquadramento de cada caso, que os tribunais militares e comuns examinam à luz da decisão do STF.

O que dizem os tribunais

Informativo 1190 do STF · ADI 7.555

É inconstitucional — por violar os princípios da dignidade da pessoa humana (CF/1988, art. 1º, III), da proteção integral da criança e do adolescente (CF/1988, art. 227, caput), da proteção das pessoas com deficiência (CF/1988, art. 24, XIV), bem como da vedação ao retrocesso social e da proibição de proteção deficiente — norma do Código Penal Militar que dispõe sobre o crime de estupro de vulnerável sem prever qualificadoras por lesão corporal grave, gravíssima ou morte.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

AG.REG. NO HABEAS CORPUS 272.531

Primeira Turma · Rel. ALEXANDRE DE MORAES · j. 29/06/2026

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AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.591.718

Primeira Turma · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 29/06/2026

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSO PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL. INOBSERVÂNCIA DO § 2º DO ART. 1.035 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL NA ORIGEM: RECURSO INCABÍVEL. ARGUIÇÕES DE NULIDADE. PLEITOS DE ABSOLVIÇÃO E DESCLASSIFICAÇÃO DAS CONDUTAS: NECESSÁRIO REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO E AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. AGRAVO REGIMENTAL D…

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.591.432

Primeira Turma · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 05/05/2026

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. ART. 225 DO CÓDIGO PENAL. ALTERAÇÃO INTRODUZIDA PELA LEI N. 12.015/2009. IRRETROATIVIDADE. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. MATÉRIA ANALISADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO HABEAS COSPUS N. 266.382/GO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (ARE 1591432 AgR, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 05-05-2026,…

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.593.248

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AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.592.546

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Ementa: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ESTUPRO DE VULNERÁVEL REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 279/STF. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo regimental interposto contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário, com fundamento no art. 13, V, c, do RISTF, no qual a parte agravante sustenta que a controvérsia constitucional não exige reexame de fatos e provas nem interpre…

HC 268.146

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