JurisprudênciaIA

Lei estadual pode proibir a cobrança de taxa de religação de energia elétrica?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Não, quanto ao setor de energia elétrica. Conforme entendimento do STF registrado no Informativo 151, é inconstitucional norma estadual que proíbe a cobrança de taxa de religação, prevê multa pelo descumprimento e obriga o fornecedor a informar a gratuidade, pois invade competência privativa da União sobre energia e afeta o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.

Os fundamentos da inconstitucionalidade

A Constituição atribui à União a competência privativa para legislar sobre energia (art. 22, IV) e a competência exclusiva para explorar os serviços de energia elétrica, diretamente ou mediante concessão (art. 21, XII, b). Lei estadual que interfere na cobrança de valores pelo serviço, ainda que com intuito de proteger o consumidor, acaba disciplinando a própria prestação do serviço federal, o que não lhe é permitido.

O STF também apontou afronta ao equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão (art. 37, XXI). A taxa de religação compõe a equação econômica pactuada entre o poder concedente federal e a concessionária, e o Estado-membro não pode alterá-la unilateralmente.

O alcance da decisão

O entendimento abrange as três frentes da norma estadual analisada: a proibição de cobrar taxa de religação após regularização do usuário, a multa pelo descumprimento e o dever de informar a gratuidade. Importante notar que a inconstitucionalidade foi afirmada no que alcança o setor de energia elétrica; a validade de regras semelhantes para outros serviços depende do regime de competência de cada setor e é examinada caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 1211 do STF · ADI 7.793

No que alcança o setor de energia elétrica, é inconstitucional — por contrariar competência privativa da União para legislar sobre energia e exclusiva para explorar os serviços de energia elétrica (CF/1988, arts. 22, IV, e 21, XII, b), além de afrontar o equilíbrio econômico-financeiro do contrato (CF/1988, art. 37, XXI) — norma estadual que, no âmbito de seu território, (i) proíbe a cobrança de taxas de religação de serviços essenciais decorrentes de regularização do usuário com o fornecedor do serviço, (ii) prevê a aplicação de multa no caso de descumprimento, e (iii) impõe ao fornecedor o dever de informar os usuários sobre essa gratuidade.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

RE 1.563.569

Segunda Turma · Rel. Gilmar Mendes · j. 23/03/2026

Ementa: Direito tributário. Agravo regimental nos embargos de declaração no recurso extraordinário. Imposto sobre Circulação de mercadorias e Serviços - ICMS. Energia Elétrica. Origem declarou inconstitucionalidade de alíquota majorada. Tema 745/STF. Modulação de efeitos. Agravo regimental não provido. I. Caso em exame 1. Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão monocrática que deu provimento ao Recurso Extraordinário. II. Questão em discussão 2. A questão em d…

RE 1.363.641

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 19/08/2025

Ementa: Direito Administrativo e outras matérias de Direito Público. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário. Lei estadual. Proibição de suspensão de fornecimento de energia elétrica e água tratada por inadimplemento antes de 60 dias do vencimento da fatura. Inconstitucionalidade formal afastada no julgamento do recurso extraordinário. Objetivação do recurso extraordinário interposto em ADI estadual. Possibilidade de examinar a inconstitucionalid…

RE 1.480.504

Primeira Turma · Rel. Flávio Dino · j. 30/05/2025

EMENTA: Direito tributário. Agravo regimental no recurso extraordinário. ICMS. Energia elétrica. Essencialidade e seletividade. Alíquota aplicada que não superou à alíquota geral do Estado. Adequação ao Tema 745/RG. Lei estadual nº 6.374/1989 e RICMS/2000. Inexistência de direito a compensação/restituição do tributo. Súmulas nº 279 e 280/STF. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo interno contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário. 2. O recurso extra…

ADI 7.725

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 26/05/2025

Ementa: Direito constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei estadual nº 3.533/2019, do Estado do Tocantins. Suspensão dos serviços públicos de energia elétrica e água por inadimplemento dos usuários. Competência da União e dos Municípios. inconstitucionalidade. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade em face do art. 1º da Lei estadual nº 3.533, de 2019, do Estado do Tocantins, que dispõe sobre a proibição de corte no fornecimento de energia elét…

RE 1.480.504

Primeira Turma · Rel. Flávio Dino · j. 26/05/2025

Ementa: Direito tributário. Agravo regimental no recurso extraordinário. ICMS. Energia elétrica. Essencialidade e seletividade. Alíquota aplicada que não superou à alíquota geral do Estado. Adequação ao Tema 745/RG. Lei estadual nº 6.374/1989 e RICMS/2000. Inexistência de direito a compensação/restituição do tributo. Súmulas nº 279 e 280/STF. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo interno contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário. 2. O recurso extra…

ARE 1.391.452

Primeira Turma · Rel. Cristiano Zanin · j. 11/04/2025

EMENTA: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Inconstitucionalidade da cobrança pela ocupação da faixa de domínio de rodovias estaduais por concessionárias de energia elétrica. Agravo regimental Improvido. I. CASO EM EXAME 1. Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão que deu provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da cobrança pela ocupação da faixa…

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