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Lei municipal pode proibir contratos do município com parentes de agentes públicos?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim, com uma ressalva importante. Conforme entendimento divulgado no Informativo 888 do STF, é constitucional norma municipal que proíbe contratos do município com agentes públicos municipais e parentes até o terceiro grau, por atender à vedação ao nepotismo. A proibição, porém, não pode alcançar parentes de servidores sem cargo em comissão ou função de confiança.

O fundamento da validade da lei municipal

O STF reconheceu que esse tipo de norma não invade competência de outros entes federativos e concretiza a vedação ao nepotismo, princípio ligado à moralidade administrativa. O município pode, portanto, vedar a celebração de contratos com seus próprios agentes públicos e com pessoas ligadas a eles por matrimônio, parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, inclusive por adoção.

A restrição atinge com mais intensidade quem ocupa posição de influência na estrutura administrativa, justamente onde o risco de favorecimento é maior.

O limite da proporcionalidade

O próprio entendimento traça uma fronteira: o impedimento não se aplica aos parentes de servidores municipais que não ocupam cargo em comissão nem função de confiança. Estender a proibição a essas pessoas violaria o princípio da proporcionalidade, pois criaria restrição excessiva sem correspondência com o risco de nepotismo.

Na prática, a validade de cada vedação local depende de como a lei foi redigida e de quem ela atinge, o que os tribunais examinam caso a caso. As decisões recentes listadas abaixo mostram como o entendimento vem sendo aplicado.

O que dizem os tribunais

Informativo 1101 do STF · RE 910.552

É constitucional — por não violar o sistema de repartição de competências e atender à vedação ao nepotismo — norma municipal que proíbe a celebração de contratos do município com agentes públicos municipais e respectivos parentes, até o terceiro grau. Contudo, esse impedimento não se aplica às pessoas ligadas — por matrimônio ou parentesco, afim ou consanguíneo, até o terceiro grau, inclusive, ou por adoção — a servidores municipais não ocupantes de cargo em comissão ou função de confiança, sob pena de infringência ao princípio da proporcionalidade.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

ARE 1.568.097

Segunda Turma · Rel. André Mendonça · j. 17/11/2025

Ementa: Direito Administrativo e outras matérias de Direito Público. Agravo Regimental no Recurso Extraordinário com Agravo. Improbidade administrativa. Lei nº 14.230, de 2021. Elemento subjetivo dolo. Ausência de dolo. Recurso não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão pela qual se negou provimento a recurso extraordinário, mantendo-se acórdão em que se afastou a condenação por improbidade administrativa. O caso original refere-se à ação civ…

ARE 1.462.344

Tribunal Pleno · Rel. Gilmar Mendes · j. 27/10/2025

Ementa: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Recurso extraordinário com agravo. Fixação de subsídios. Agentes políticos municipais. Anterioridade da legislatura. Irredutibilidade de vencimentos. Lei de Responsabilidade Fiscal. Recurso desprovido. I. Caso em exame 1. Recurso interposto contra acórdão de Tribunal de origem que reconheceu a constitucionalidade de lei municipal que reduziu os subsídios de Prefeito, Vice-Prefeito e Secretários Municipais de…

RE 1.485.643

Tribunal Pleno · Rel. Flávio Dino · j. 01/09/2025

EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. GUARDA CIVIL MUNICIPAL. EXIGÊNCIA DE REQUISITO DE ALTURA MÍNIMA DE 1,65M (UM METRO E SESSENTA E CINCO CENTÍMETROS) PARA HOMENS E DE 1,60M (UM METRO E SESSENTA CENTÍMETROS) PARA MULHERES. PARÂMETROS ESTABELECIDOS NA LEI FEDERAL Nº 12.705/2012 (1,60M PARA HOMENS E 1,55M PARA MULHERES). RAZOABILIDADE. NECESSIDADE DE A LEI MUNICIPAL ADOTAR OS CRITÉRIOS DA LEI FEDERAL Nº 12.705/12. PRECEDENTES. AGRAVO PROVIDO. 1. A…

HC 219.818

Segunda Turma · Rel. Gilmar Mendes · j. 25/08/2025

Ementa: Direito processual penal. Agravo regimental no habeas corpus. Ausência de lastro probatório mínimo para o prosseguimento do inquérito. arquivamento de investigação promovida sem justa causa. Agravo regimental desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental contra decisão que, ao reconhecer a ausência justa causa para a investigação exclusivamente em relação aos Desembargadores R.F.N., M. de N.S.G. dos S., V.L.C. da S., R.M.V., R.H.R., M. de N.S.G., D.N.A., J.R.P.M.B…

RCL 76.223

Segunda Turma · Rel. Gilmar Mendes · j. 25/08/2025

Ementa: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Agravo regimental na reclamação. Nepotismo. Cargo político. Súmula Vinculante 13. Ausência de qualificação técnica. Razoabilidade da nomeação. Agravo regimental desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que afastou a aplicação da Súmula Vinculante 13 em caso de nomeação de parente para cargo político. 2. O agravante sustenta que a nomeação de esposa de chefe do executivo mun…

ADPF 1.158

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 09/05/2025

EMENTA: Direito Constitucional e outras matérias de direito público. Arguição de descumprimento de preceito fundamental. Lei nº 6.008/2023 do município de Muriaé/mg. Proibição do uso de “linguagem neutra” em instituições de ensino e em concursos públicos municipais. Conhecimento parcial. Ausência de impugnação específica. Usurpação da competência privativa da união para legislar sobre normas gerais de ensino. Inconstitucionalidade formal. Pedido parcialmente conhecido e julga…

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As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.