JurisprudênciaIA

Estado pode dar licença-paternidade maior que 5 dias e deve garantir prazo igual de licença-maternidade para pai solo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim, nos dois pontos. Conforme tese divulgada em informativo do STF, são constitucionais as normas estaduais e distritais que fixam licença-paternidade superior a 5 dias para seus servidores. E são inconstitucionais as normas que não asseguram ao pai solo, biológico ou adotante, o mesmo prazo da licença-maternidade, bem como as que diferenciam a licença da mãe adotante pela idade da criança.

Autonomia dos Estados para ampliar a licença-paternidade

A tese reconhece que Estados e Distrito Federal podem fixar, para seus próprios servidores, licença-paternidade com prazo superior aos 5 dias. Trata-se de espaço legítimo de autonomia na disciplina do regime jurídico de seus quadros.

Há, porém, um limite relevante: a prorrogação prevista na legislação federal não se aplica de forma automática aos servidores estaduais e distritais. Ou seja, o servidor estadual não pode simplesmente invocar a regra federal de extensão; depende do que dispõe a norma do próprio ente.

Pai solo e mãe adotante: o que foi vedado

A tese declara inconstitucionais as normas que não estabelecem para o pai solo, tanto biológico quanto adotante, o mesmo prazo da licença-maternidade. A lógica é a proteção da criança: quem exerce sozinho a parentalidade precisa do mesmo período de cuidado assegurado à mãe.

Também foram consideradas inconstitucionais as normas que graduam a duração da licença-maternidade da mãe adotante conforme a idade da criança adotada. Na prática, servidores estaduais nessas situações podem questionar normas locais que ainda contenham essas diferenciações, e os tribunais examinam caso a caso a legislação de cada ente.

O que dizem os tribunais

Informativo 1162 do STF · ADI 7.519

São constitucionais normas estaduais e distritais que fixam prazo superior a 5 dias para a licença-paternidade de seus servidores, não sendo a eles aplicável, de forma automática, a prorrogação prevista na legislação federal. São inconstitucionais as normas que estabelecem diferenciação na duração da licença-maternidade para mães adotantes em relação à idade da criança adotada e as normas que não estabelecem o mesmo prazo da licença-maternidade para pais solo, tanto biológicos quanto adotantes.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

RE 1.485.852

Segunda Turma · Rel. Gilmar Mendes · j. 11/11/2025

Ementa: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. Licença-paternidade. Servidor público. Inaplicabilidade de legislação superveniente. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. Recurso interposto contra decisão monocrática que deu provimento a recurso extraordinário para reformar acórdão do Tribunal de origem que havia estendido a licença-paternidade a servidor público estadual. O Tribunal de origem havi…

ARE 1.498.231

Tribunal Pleno · Rel. Edson Fachin · j. 26/09/2025

Ementa Sobre Repercussão Geral: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Repercussão geral no recurso extraordinário com agravo. Licença-maternidade. União homoafetiva. Pai. Servidor público. Repercussão geral. Reconhecimento. I. Caso em exame 1. Agravo contra decisão que inadmitiu recurso extraordinário interposto em face de acórdão da 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no qual se pleiteia a concessão de licença-ma…

ADI 7.532

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 29/04/2025

EMENTA: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Ação direta de inconstitucionalidade. Licença-maternidade e paternidade. Filhos biológicos e adotivos. Compartilhamento das licenças parentais. Servidores públicos estaduais. Estado de Minas Gerais. Parcial procedência. i. caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria-Geral da República contra os atos normativos do Estado de Minas Gerais que estabelecem o regramento da lice…

ADI 7.537

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 17/03/2025

EMENTA: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Ação direta de inconstitucionalidade. Licença-maternidade e paternidade. Filhos biológicos e adotivos. Servidores públicos civis e militares. Extensão do prazo de licença-paternidade ao pai em família monoparental. Compartilhamento das licenças parentais. Servidores públicos estaduais. Estado do Rio de Janeiro. Parcial procedência. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Procur…

ADI 7.532

Tribunal Pleno · Rel. André Mendonça · j. 24/02/2025

Ementa: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Ação direta de inconstitucionalidade. Licença-maternidade e paternidade. Filhos biológicos e adotivos. Compartilhamento das licenças parentais. Servidores públicos estaduais. Estado de Minas Gerais. Parcial procedência. i. caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria-Geral da República contra os atos normativos do Estado de Minas Gerais que estabelecem o regramento da lice…

ADI 7.537

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Ementa: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Ação direta de inconstitucionalidade. Licença-maternidade e paternidade. Filhos biológicos e adotivos. Servidores públicos civis e militares. Extensão do prazo de licença-paternidade ao pai em família monoparental. Compartilhamento das licenças parentais. Servidores públicos estaduais. Estado do Rio de Janeiro. Parcial procedência. I. Caso em exame 1. Ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Procur…

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