JurisprudênciaIA

As medidas protetivas devem ser revogadas quando o inquérito policial é concluído sem indiciamento do acusado?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, em regra. O STJ, em julgado divulgado em informativo de jurisprudência, entendeu que é indevida a manutenção de medidas protetivas de urgência quando o inquérito policial é concluído sem indiciamento do acusado. Por serem cautelares, as medidas só se justificam enquanto necessárias ao processo e a seus fins.

O caráter cautelar das medidas protetivas

As medidas protetivas da Lei Maria da Penha, voltadas à mulher, ao patrimônio e à relação familiar, têm natureza cautelar: vigoram de imediato, mas apenas enquanto necessárias ao processo e a suas finalidades. Elas não são um fim em si mesmas nem uma sanção autônoma.

No caso julgado, as medidas foram deferidas por seis meses e depois prorrogadas por igual período, com fundamentação adequada. O problema surgiu quando o inquérito policial foi concluído sem indiciamento do investigado, esvaziando a base que sustentava as restrições.

Restrição indefinida equivale a pena sem processo

O STJ registrou que impor restrições de liberdade por medida cautelar, de modo indefinido e desvinculado de inquérito ou processo penal em andamento, significa, na prática, aplicar verdadeira pena sem o devido processo legal, o que configura constrangimento ilegal.

Na prática, concluída a investigação sem indiciamento, a defesa pode pleitear a revogação das protetivas. Os tribunais examinam caso a caso a subsistência de necessidade concreta, mas a orientação é de que a cautela não sobrevive sem persecução penal que a justifique.

O que dizem os tribunais

Informativo 750 do STJ · REsp 1.769.759

Violência doméstica. Medidas protetivas de urgência. Conclusão do inquérito policial sem indiciamento do recorrente. Revogação. É indevida a manutenção de medidas protetivas na hipótese de conclusão do inquérito policial sem indiciamento do acusado. O STJ possui o entendimento segundo o qual "as medidas de urgência, protetivas da mulher, do patrimônio e da relação familiar, somente podem ser entendidas por seu caráter de cautelaridade - vigentes de imediato, mas apenas enquanto necessárias ao processo e a seus fins" (AgRg no REsp 1.769.759/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 07/05/2019, DJe de 14/05/2019). No caso, foram deferidas medidas protetivas pelo prazo de seis…”Ler na íntegra

Violência doméstica. Medidas protetivas de urgência. Conclusão do inquérito policial sem indiciamento do recorrente. Revogação. É indevida a manutenção de medidas protetivas na hipótese de conclusão do inquérito policial sem indiciamento do acusado. O STJ possui o entendimento segundo o qual "as medidas de urgência, protetivas da mulher, do patrimônio e da relação familiar, somente podem ser entendidas por seu caráter de cautelaridade - vigentes de imediato, mas apenas enquanto necessárias ao processo e a seus fins" (AgRg no REsp 1.769.759/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 07/05/2019, DJe de 14/05/2019). No caso, foram deferidas medidas protetivas pelo prazo de seis meses. Ao término, as medidas foram prorrogadas por mais seis meses. Todavia, apesar de as medidas protetivas terem sido devidamente fundamentadas, ocorreu a conclusão do inquérito policial sem indiciamento do recorrente. Nesse sentido, tem-se que "a imposição das restrições de liberdade ao recorrente, por medida de caráter cautelar, de modo indefinido e desatrelado de inquérito policial ou processo penal em andamento, significa, na prática, infligir-lhe verdadeira pena sem o devido processo legal, resultando em constrangimento ilegal" (RHC 94.320/BA, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 09/10/2018, DJe 24/10/2018).

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