JurisprudênciaIA

Mulher transgênero presa pode escolher cumprir pena em presídio feminino ou masculino?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, a preferência da pessoa presa deve ser considerada. Segundo entendimento divulgado em informativo do STJ, com base na Resolução CNJ n. 348/2020 e na cautelar da ADPF 527 do STF, o Judiciário tem o dever de perguntar à pessoa transgênero se prefere unidade feminina, masculina ou específica, e se quer ficar no convívio geral ou em ala própria.

O dever de consultar a pessoa presa

A definição do local de cumprimento da pena de pessoa transgênero não é decisão de livre escolha do juiz. O art. 7º da Resolução CNJ n. 348/2020 determina que a decisão seja proferida após questionamento da preferência da pessoa presa, e o STF, em medida cautelar na ADPF 527, já havia reconhecido que pessoas transexuais e travestis com identidade de gênero feminina podem escolher entre estabelecimento feminino ou masculino.

A consulta abrange dois níveis: a escolha da unidade (feminina, masculina ou específica, se existir) e, dentro da unidade escolhida, a preferência por permanecer no convívio geral ou em alas ou celas específicas.

O fundamento da orientação

O objetivo declarado é resguardar a liberdade sexual e de gênero, a integridade física e a vida das pessoas transgênero presas, com base no princípio da igualdade material. Segundo o julgado, eventuais constrangimentos de agentes carcerárias não podem ser o critério da decisão, pois o papel do Judiciário na execução penal é proteger a vida e a integridade das pessoas presas.

O que isso significa na prática

A autodeclaração da pessoa como parte da população transexual já impõe ao juízo da execução o dever de formular a consulta. Vale registrar que o precedente noticiado indica julgamento não concluído na Corte Especial, de modo que a aplicação concreta ainda pode variar e os tribunais examinam cada situação caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 801 do STJ

É dever do Judiciário indagar à pessoa autodeclarada parte da população transexual acerca da preferência pela custódia em unidade feminina, masculina ou específica, se houver, e, na unidade escolhida, preferência pela detenção no convívio geral ou em alas ou celas específicas.

Decisões recentes sobre o tema

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