Informativo 662 do STJ
“É nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante comercial no caso de rescisão injustificada do contrato pela representada.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. Segundo entendimento do STJ divulgado em informativo, é nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante comercial em caso de rescisão injustificada do contrato pela representada, prevista no art. 27, alínea j, da Lei 4.886/1965. A antecipação, diluída na remuneração mensal, desvirtua a finalidade indenizatória da verba.
A Lei 4.886/1965 garante ao representante comercial uma indenização quando o contrato é rompido sem justo motivo por iniciativa da representada. O STJ entendeu que a obrigação de indenizar só nasce depois do ato que lhe dá causa: antes de existir um prejuízo concreto, que aqui é o rompimento imotivado do contrato, não há o que reparar. Pagar a indenização de forma antecipada, junto com a remuneração mensal, esvazia a função protetiva da verba.
O tribunal invocou o princípio da boa-fé: mesmo cláusulas formalmente lícitas não podem ser exercidas quando, na essência, representam deslealdade ou geram consequências danosas para a outra parte. A cláusula que fica aquém do padrão mínimo de equilíbrio fixado pelo ordenamento deve ser declarada inválida.
Na prática, a representada não se libera da indenização do art. 27, alínea j, alegando que já a pagou de forma diluída ao longo do contrato. Reconhecida a nulidade da cláusula, a verba permanece devida ao final, em caso de rescisão imotivada, e os tribunais examinam as circunstâncias de cada contrato caso a caso.
“É nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante comercial no caso de rescisão injustificada do contrato pela representada.”
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