JurisprudênciaIA

Receber auxílio transporte usando carro oficial configura crime de peculato?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Segundo os votos já proferidos pelo STJ no caso noticiado em informativo, sim: é típica, como peculato (art. 312 do Código Penal), a apropriação mensal indevida do auxílio transporte por quem utilizava concomitantemente carro oficial. O julgamento, porém, foi interrompido por pedido de vista, de modo que ainda não havia conclusão definitiva.

O caso analisado

Tratava-se de ação penal contra membro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima que, enquanto presidente do órgão, recebeu auxílio transporte de forma indevida, pois utilizava ao mesmo tempo o veículo institucional.

O relator entendeu configurado o peculato, considerando típica a apropriação mensal indevida do valor somada ao uso do carro oficial. O voto-vista da Ministra Maria Thereza de Assis Moura acompanhou essa conclusão, julgando procedente a denúncia com fundamento no art. 312, por vinte e quatro vezes, na forma do art. 71 do Código Penal (crime continuado), no que foi seguida por outros ministros.

O que ainda estava em aberto

O julgamento foi suspenso por novo pedido de vista, convertido em vista coletiva nos termos do regimento do STJ. Isso significa que, no momento noticiado, havia maioria se formando pela condenação, mas o resultado final ainda dependia da conclusão do julgamento.

Na prática, o precedente sinaliza que receber verba indenizatória de transporte enquanto se usa veículo oficial pode configurar peculato, mas a consolidação desse entendimento e sua aplicação a outras situações dependem do desfecho do caso e do exame das circunstâncias concretas pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 733 do STJ

Crime de peculato. Recebimento de auxílio transporte concomitantemente a utilização de carro ofical. Tipicidade da conduta. Pedido de vista. Trata-se de ação penal ajuizada contra membro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima em razão do recebimento de auxílio transporte no período em que era Presidente deste órgão de forma indevida, porquanto teria utilizado concomitantemente o veículo institucional. Entendeu, em seu voto, que restou configurado o crime de peculato, sendo típica a conduta de apropriação mensal indevida do valor conjuntamente com a utilização do carro oficial, determinando a condenação do réu. Prosseguindo no julgamento, a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura apres…”Ler na íntegra

Crime de peculato. Recebimento de auxílio transporte concomitantemente a utilização de carro ofical. Tipicidade da conduta. Pedido de vista. Trata-se de ação penal ajuizada contra membro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima em razão do recebimento de auxílio transporte no período em que era Presidente deste órgão de forma indevida, porquanto teria utilizado concomitantemente o veículo institucional. Entendeu, em seu voto, que restou configurado o crime de peculato, sendo típica a conduta de apropriação mensal indevida do valor conjuntamente com a utilização do carro oficial, determinando a condenação do réu. Prosseguindo no julgamento, a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura apresentou seu voto-vista ao entender que ficou configurado o crime de peculato, sendo típica a conduta de apropriação mensal indevida do valor conjuntamente com a utilização do carro oficial, determinando a condenação do réu. Dessa forma, julgou procedente a denúncia para condenar o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima, com fundamento no artigo 312, por vinte e quatro vezes, na forma do artigo 71, ambos do Código Penal, no que foi acompanhada pelo Sr. Ministro Herman Benjamin e pelas Sras. Ministras Nancy Andrighi e Laurita Vaz, e o voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha acompanhando o Relator, pediu vista o Sr. Ministro Jorge Mussi e, nos termos do art. 161, §2º, do RISTJ, o pedido foi convertido em vista coletiva.

Decisões recentes sobre o tema

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