JurisprudênciaIA

Bancos respondem solidariamente por portabilidade de crédito feita sem consentimento do cliente?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Conforme informativo do STJ, tanto o banco de origem quanto o de destino têm o dever de apurar a regularidade do consentimento e da transferência na portabilidade de crédito, e respondem solidariamente pelos danos decorrentes de falha nesse serviço, inclusive em fraudes, com fundamento na responsabilidade objetiva das instituições financeiras.

A cadeia de fornecimento na portabilidade

O STJ entendeu que, ao integrarem uma operação de portabilidade, a instituição credora original e a proponente passam a compor uma mesma cadeia de fornecimento de serviços, respondendo até que a operação se aperfeiçoe com a extinção do contrato original e a formação definitiva do novo. A solidariedade decorre do art. 7º, parágrafo único, do CDC.

A decisão também se apoia na Súmula 479 do STJ, segundo a qual as instituições financeiras respondem objetivamente por danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes praticadas por terceiros em operações bancárias. Manter estrutura para detectar fraudes é dever inerente ao risco do empreendimento bancário.

Consequências para o consumidor lesado

Reconhecida a fraude na portabilidade, as instituições envolvidas devem recompor todos os danos sofridos pelo consumidor, restituindo-lhe o status quo ante como decorrência automática da inexistência do contrato fraudado. O consumidor pode, portanto, acionar qualquer das instituições da cadeia.

A verificação do consentimento é o ponto central: se a transferência ocorreu sem autorização válida do cliente, há defeito no serviço. Em regra, a prova da regularidade do consentimento cabe às instituições, e os tribunais avaliam as circunstâncias de cada operação.

O que dizem os tribunais

Informativo 682 do STJ · Enunciado 479

É dever das instituições financeiras envolvidas na operação de portabilidade de crédito apurar a regularidade do consentimento e da transferência da operação, recaindo sobre elas a reponsabilidade solidária pelos danos decorrentes de falha na prestação do serviço.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Humberto Martins · j. 22/06/2026

Direito processual civil e do consumidor. Agravo interno em recurso especial. Responsabilidade civil bancária por fraude em negociação realizada por rede social. Negativa de prestação jurisdicional afastada. Óbice da Súmula 7/STJ. Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo interno contra decisão monocrática que conheceu em parte do recurso especial e, na extensão, negou-lhe provimento.2. Fato relevante.…

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Terceira Turma · Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva · j. 22/06/2026

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR E RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E COMPENSAÇÃO DE DANOS MORAIS. SISTEMA SISBACEN/SCR. NATUREZA RESTRITIVA DE CRÉDITO. NOTIFICAÇÃO. AUSÊNCIA. NEGATIVAÇÃO. MANUTENÇÃO INDEVIDA. RESPONSABILIDADE DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DANOS MORAIS. CONFIGURAÇÃO IN RE IPSA. COMPENSAÇÃO. VALOR. ACÓRDÃO EM DESCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ.1. As informações fornecidas pelas instituições financeiras ao SISBACEN afiguram-se como…

Acórdão

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Acórdão

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Acórdão

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