JurisprudênciaIA

A pronúncia interrompe a prescrição mesmo se o júri desclassificar o crime?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. A Súmula 191 do STJ estabelece que a pronúncia é causa interruptiva da prescrição mesmo que o Tribunal do Júri depois desclassifique o crime. A interrupção ocorrida com a pronúncia permanece válida ainda que os jurados concluam que o fato não era crime doloso contra a vida.

O efeito da pronúncia sobre a prescrição

A pronúncia é a decisão que admite a acusação por crime doloso contra a vida e remete o caso a julgamento pelo júri. Entre seus efeitos está a interrupção da prescrição, que faz o prazo prescricional recomeçar do zero a partir dela.

A dúvida era se essa interrupção sobreviveria quando o júri, ao final, desclassificasse o crime para outro que não é da sua competência, como lesão corporal seguida de morte. A súmula responde que sim: a desclassificação posterior não apaga o efeito interruptivo já produzido.

O que isso significa na prática

Para o cálculo da prescrição, a pronúncia continua contando como marco interruptivo mesmo nos processos em que houve desclassificação pelo júri. Isso reduz as chances de reconhecimento da prescrição nesses casos, porque o prazo é contado por períodos menores entre os marcos.

A verificação da prescrição sempre depende das datas concretas de cada processo e da pena aplicável ao crime resultante da desclassificação, pontos que os tribunais examinam caso a caso.

O que dizem os tribunais

Súmula 191 do STJ

A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime. (TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/06/1997, DJ 01/08/1997, p. 33718)

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