JurisprudênciaIA

Servidor público que filma mulheres com câmera escondida na repartição pode ser demitido por conduta escandalosa?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Segundo o STJ, em informativo de jurisprudência, filmar com câmera escondida alunas, servidoras e funcionárias terceirizadas caracteriza conduta escandalosa, prevista no art. 132, V, parte final, da Lei 8.112/1990, e atrai a pena de demissão, ainda que a conduta tenha ocorrido às ocultas e sem condenação penal.

Incontinência pública e conduta escandalosa não se confundem

O art. 132, V, da Lei 8.112/1990 prevê duas infrações distintas. A incontinência pública é o comportamento grave e indecente praticado de forma habitual, ostensiva e em público. Já a conduta escandalosa tem natureza autônoma e requisitos próprios: pode ocorrer publicamente ou às ocultas, de forma reservada, desde que depois chegue ao conhecimento da Administração.

Foi com base nessa segunda figura que o STJ validou a demissão do servidor que filmava mulheres com câmera escondida na repartição. O caráter clandestino da conduta não impede o enquadramento.

Independência entre as esferas penal e administrativa

O STJ reafirmou que as instâncias cível, penal e administrativa são independentes: a absolvição penal por ausência de provas não repercute no exame do residual administrativo dos mesmos fatos. Também não era necessário discutir se a conduta configuraria assédio sexual (art. 216-A do Código Penal), porque a demissão não se fundou nesse crime, e sim na infração administrativa autônoma.

Quanto à defesa no processo disciplinar, vale a regra de que o acusado se defende dos fatos: basta que o termo de indiciamento descreva os ilícitos de forma suficientemente detalhada para permitir a compreensão do que se imputa.

O que isso significa na prática

Condutas de violação da intimidade de mulheres no ambiente de trabalho público, mesmo praticadas de forma oculta, podem levar à pena máxima de demissão quando apuradas em PAD regular. A subsunção da conduta concreta ao art. 132, V, e a proporcionalidade da sanção são examinadas pelos tribunais caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 764 do STJ · MS 21.721

A conduta de filmar, por meio de câmera escondida, alunas, servidoras e funcionárias terceirizadas caracteriza a infração de conduta escandalosa, prevista no art. 132, V, parte final, da Lei n. 8.112/1990, o que atrai a pena de demissão do servidor público.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Primeira Turma · Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues · j. 22/06/2026

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Acórdão

Segunda Turma · Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze · j. 25/03/2026

AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. SERVIDOR PÚBLICO CEDIDO. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL E INCIDÊNCIA DO PRAZO DE PRESCRIÇÃO PREVISTO NO ART. 142, § 2º DA LEI N. 8.112/90. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. O Tribunal local decidiu a controvérsia aplicando a Súmula 635/STJ, assim redigida : "Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei n. 8.112/1990 iniciam-se na data em que a autoridade c…

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Primeira Seção · Rel. Ministro Teodoro Silva Santos · j. 16/12/2025

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ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO. PAD. ENQUADRAMENTO DA CONDUTA EM DISPOSITIVO LEGAL. REVISÃO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo om…

Acórdão

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