JurisprudênciaIA

As tarifas TAC e TEC cobradas pelo banco são válidas?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Depende da data do contrato. Pela Súmula 565 do STJ, as tarifas de abertura de crédito (TAC) e de emissão de carnê (TEC), ou outra denominação para o mesmo fato gerador, só são válidas nos contratos bancários anteriores a 30/4/2008, início da vigência da Resolução-CMN 3.518/2007. Em contratos posteriores, a cobrança é indevida.

O marco temporal fixado pela súmula

A súmula divide os contratos em dois grupos. Nos celebrados antes de 30/4/2008, quando entrou em vigor a Resolução-CMN 3.518/2007, a pactuação de TAC e TEC é válida, se prevista no contrato. Nos firmados a partir dessa data, essas tarifas não podem mais ser cobradas.

O critério, portanto, não é o nome da tarifa, mas a data da contratação. A mudança regulatória do Conselho Monetário Nacional é o divisor de águas para a legitimidade da cobrança.

Tarifas com outros nomes

A súmula alcança expressamente qualquer outra denominação dada ao mesmo fato gerador. Isso impede que a instituição financeira contorne a vedação apenas rebatizando a tarifa: se a cobrança remunera o mesmo serviço da TAC ou da TEC, segue a mesma regra temporal.

A identificação de que uma tarifa com nome diverso corresponde, na essência, à TAC ou à TEC é feita caso a caso pelos tribunais, a partir do fato gerador descrito no contrato.

O que isso significa na prática

Quem pagou TAC, TEC ou tarifa equivalente em contrato posterior a 30/4/2008 pode pleitear em juízo a devolução dos valores, observadas as regras de prescrição e as circunstâncias do caso concreto. Para contratos anteriores, a tendência é o reconhecimento da validade da cobrança pactuada.

O que dizem os tribunais

Súmula 565 do STJ

A pactuação das tarifas de abertura de crédito (TAC) e de emissão de carnê (TEC), ou outra denominação para o mesmo fato gerador, é válida apenas nos contratos bancários anteriores ao início da vigência da Resolução-CMN n. 3.518/2007, em 30/4/2008. (SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/02/2016, DJe 29/02/2016)

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

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BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. FINANCIAMENTO DE VEÍCULO. AUSÊNCIA DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. SEGURO PRESTAMISTA. VALIDADE DO CONTRATO. REEXAME. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. TARIFA DE AVALIAÇÃO DE BEM. AUSÊNCIA DE ÍNDOLE ABUSIVA. SÚMULA 83/STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Não houve ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o acórdão recorrido adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. É indevido conjectu…

Acórdão

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Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministra Nancy Andrighi · j. 24/09/2024

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Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Moura Ribeiro · j. 24/06/2024

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Acórdão

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