JurisprudênciaIA

O juiz pode reconhecer de ofício cláusula abusiva em contrato bancário?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. A Súmula 381 do STJ veda ao julgador conhecer de ofício da abusividade das cláusulas nos contratos bancários. Isso significa que o juiz só pode examinar e afastar cláusula abusiva desse tipo de contrato se a parte interessada pedir expressamente; sem provocação, a questão não pode ser decidida por iniciativa do próprio magistrado.

O que significa a vedação ao exame de ofício

Conhecer de ofício é decidir uma questão sem que nenhuma das partes a tenha suscitado. A súmula proíbe essa atuação espontânea do juiz especificamente quanto à abusividade de cláusulas em contratos bancários: a revisão depende de pedido da parte.

Na prática, o consumidor que quer discutir juros, tarifas ou outros encargos de contrato bancário precisa formular pedido expresso e delimitado. Cláusulas não impugnadas na petição tendem a permanecer intactas, ainda que o juiz as considere questionáveis.

Alcance e limites do entendimento

A súmula trata dos contratos bancários. Ela não impede que o próprio interessado peça a revisão a qualquer tempo processual adequado, nem alcança questões que a lei trate como matéria de ordem pública fora desse contexto, o que os tribunais examinam caso a caso.

O entendimento é objeto de críticas por parte da doutrina consumerista, mas, enquanto vigente, orienta a atuação dos tribunais. Para quem litiga contra banco, a consequência prática é clara: cada cláusula que se pretende afastar deve ser expressamente indicada no pedido.

O que dizem os tribunais

Súmula 381 do STJ

Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas. (SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 24/05/2013, DJe 05/05/2009)

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva · j. 22/06/2026

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Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva · j. 15/06/2026

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. AÇÃO DE REVISÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. TAXA MÉDIA DE MERCADO. TAXA CONTRATADA. COMPARAÇÃO. FUNDAMENTO EXCLUSIVO. ANÁLISE DAS PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. AUSENTE. DESCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM.1. O Tribunal entendeu pela ausência de abusividade dos juros remuneratórios após considerar que não superaram o dobro da taxa média de mercado.2. Necessidade de retorno dos autos à…

Acórdão

j. 01/06/2026

DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS. DEVER DE INFORMAÇÃO. ABUSIVIDADE PARCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA.I. CASO EM EXAME1. O recurso. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que deu provimento a recurso especial para: (i) declarar a abusividade parcial da cláusula de capitalização ao afastar a capitalização diária dos juros por falta de informação da taxa diária, mantendo a capitalização men…

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j. 01/06/2026

DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. FINANCIAMENTO DE VEÍCULO. CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS. AUSÊNCIA DE TAXA DIÁRIA NO CONTRATO. ABUSIVIDADE. CAPITALIZAÇÃO MENSAL MANTIDA. MORA DESCARACTERIZADA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.1. Ausente a indicação expressa da taxa diária no contrato, reconhece-se a abusividade da cláusula de capitalização diária, mantida a periodicidade mensal, cujas taxas foram devidamente pactuada…

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j. 01/06/2026

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Acórdão

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PROCESSUAL CIVIL E BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. ART. 1.022, II, E ART. 489, § 1º, IV, DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ART. 122 DO CC. CDI. CLÁUSULA NÃO POTESTATIVA EM ABSTRATO. ENCARGO REMUNERATÓRIO CUMULADO COM JUROS: ABUSIVIDADE AFERIDA CASO A CASO. ÓBICES DAS SÚMULAS 5/STJ E 7/STJ. CDI COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA: POSSIBILIDADE CONDICIONADA À NÃO ABUSIVIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONH…

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