JurisprudênciaIA

Empresa responde pelo vazamento de dados pessoais causado por ataque hacker segundo a LGPD?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Em regra, sim. O STJ decidiu, em precedente divulgado em informativo de jurisprudência, que o ataque hacker, por si só, não livra o agente de tratamento de dados de suas obrigações. Se a empresa não provar que o vazamento decorreu exclusivamente do incidente de segurança causado por terceiro, não se aplica a excludente do art. 43, III, da LGPD.

O dever de segurança do agente de tratamento

A proteção de dados pessoais é direito fundamental (art. 5º, LXXIX, da Constituição, incluído pela EC 115/2022), e as empresas que tratam dados têm obrigação legal de adotar as medidas de segurança que o titular pode legitimamente esperar, seguindo padrões de boas práticas, governança e conformidade com a LGPD.

O tratamento é considerado irregular quando deixa de fornecer a segurança esperada pelo titular, consideradas as técnicas disponíveis à época (art. 44, III, da LGPD). A alegação genérica de ataque hacker não basta: cabe à empresa comprovar que o vazamento ocorreu exclusivamente por culpa de terceiro para invocar a excludente de responsabilidade.

As obrigações impostas no caso concreto

No precedente, que envolvia vazamento de dados não sensíveis, o STJ manteve a condenação da empresa a cumprir deveres de transparência: informar as entidades públicas e privadas com as quais compartilhou os dados (art. 18, VII) e fornecer declaração completa sobre origem, critérios e finalidade do tratamento, além de cópia dos dados do titular (art. 19, II).

A extensão da responsabilidade em cada vazamento, inclusive quanto a eventual indenização, depende das provas sobre a falha de segurança e a conduta da empresa, o que os tribunais examinam caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 838 do STJ

É passível a imputação das obrigações previstas no art. 19, II, da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), ao agente de tratamento de dados, na ocasião de vazamento de dados pessoais não sensíveis do titular, decorrente de atividade alegadamente ilícita (ataque hacker) .

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. HUMBERTO MARTINS · j. 30/06/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO (SÚMULA 284/STF). REEXAME DE PROVAS (SÚMULA 7/STJ).I. CASO EM EXAME1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, em razão dos óbices da Súmula 284 do STF e da Súmula 7 do STJ.2. Recurso especial fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, dirigido contra acórdão que, em demanda de responsabilidade civil com …

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Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. HUMBERTO MARTINS · j. 08/06/2026

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T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. TEODORO SILVA SANTOS · j. 27/05/2026

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. DESPESAS COM IMPLEMENTAÇÃO DA LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (LEI N. 13.709/2018). CONCEITO DE INSUMO. TEMA N. 779 DO STJ. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E DA RELEVÂNCIA. DESPESAS OPERACIONAIS DECORRENTES DE IMPOSIÇÃO LEGAL GENÉRICA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO DIRETA COM A ATIVIDADE-FIM DA EMPRESA. PREMISSAS FÁTICAS ASSENTADAS PELA…

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Acórdão

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PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE FINANCIAMENTO COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS. DEVER DE INFORMAÇÃO. AUSÊNCIA DE TAXA DIÁRIA. ABUSIVIDADE E NULIDADE PARCIAL DA CLÁUSULA. RECÁLCULO. SEGURO PRESTAMISTA. VENDA CASADA. TEMA 972/STJ. NECESSIDADE DE PROVA DE IMPOSIÇÃO. ÓBICES DAS SÚMULAS 5 E 7/STJ. LGPD. COMPARTILHAMENTO DE DADOS. CONSENTIMENTO E BASES LEGAIS. DANO MORAL NÃO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE DANO CONCRETO. RECURSO …

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