JurisprudênciaIA

Criança pode permanecer indefinidamente em abrigo quando a mãe não adere ao acompanhamento e a reintegração familiar falha?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo informativo do STJ, a permanência prolongada de criança em abrigo institucional é manifestamente ilegal quando a reintegração familiar se mostra inviável, pois o acolhimento tem caráter temporário. Nesses casos, a falta de sentença na ação de destituição do poder familiar não impede o início da colocação em família substituta.

O acolhimento institucional é medida temporária

O ECA assegura à criança o direito de ser criada prioritariamente na família natural ou extensa e, apenas excepcionalmente, em família substituta. A jurisprudência do STJ privilegia o acolhimento familiar em detrimento do abrigo institucional. No caso analisado, a criança estava abrigada havia quase três anos, com relatórios técnicos unânimes recomendando a colocação em família substituta diante da impossibilidade de retorno à mãe, que não aderiu aos acompanhamentos.

O art. 163 do ECA determina que o procedimento de perda do poder familiar seja concluído em até 120 dias. Quando a manutenção do poder familiar é notoriamente inviável, cabe ao juiz preparar a criança para a colocação em família substituta, sem aguardar indefinidamente a sentença.

Colocação em família substituta antes da sentença

Com base na Resolução 289/2019 do CNJ, o juiz pode determinar a inclusão cautelar da criança na situação de apta para adoção antes do trânsito em julgado da decisão de destituição, informando o pretendente sobre o risco jurídico. Foi o que se admitiu no caso, dado o prejuízo emocional comprovado pela longa permanência no abrigo.

Em regra, cada situação é examinada à luz do melhor interesse da criança, mas o entendimento sinaliza que a demora processual não pode se converter em abrigamento indefinido, prejudicial ao desenvolvimento do menor.

O que dizem os tribunais

Informativo 776 do STJ

A circunstância de ainda não ter sido proferida sentença nos autos da ação de destituição do poder familiar não veda que seja iniciada a colocação da criança em família substituta.

Decisões recentes sobre o tema

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Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. NANCY ANDRIGHI · j. 04/08/2026

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