JurisprudênciaIA

No caso da Boate Kiss, quesito com imputação não admitida na pronúncia gera nulidade absoluta do júri?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Atenção: trata-se de julgamento ainda não concluído na Corte Especial do STJ, de modo que o entendimento pode não ser definitivo. Segundo informativo do STJ sobre o caso da Boate Kiss, a má formulação de quesito com imputações não admitidas na pronúncia viola o princípio da correlação e configura nulidade absoluta, cuja gravidade justifica afastar a preclusão mesmo sem impugnação imediata.

O vício na quesitação e o princípio da correlação

Os jurados só podem ser questionados sobre as imputações admitidas na pronúncia, tal como delimitada pelas instâncias competentes. No caso da Boate Kiss, o Tribunal de Justiça gaúcho havia excluído parte das condutas atribuídas aos réus no julgamento do recurso em sentido estrito, mas o quesito submetido aos jurados incluiu imputações que não haviam sido admitidas.

Para o entendimento divulgado, isso ofende ao mesmo tempo o princípio da correlação entre pronúncia e sentença e a hierarquia do julgamento colegiado do tribunal estadual, configurando nulidade absoluta, e não mera irregularidade.

Por que a preclusão foi afastada

Em regra, as nulidades da quesitação devem ser arguidas imediatamente em plenário, conforme os arts. 484 e 571, VIII, do CPP, sob pena de preclusão. Nulidades relativas ainda exigem prova do prejuízo.

O entendimento divulgado, porém, considerou que a elevada gravidade do vício, capaz de causar perplexidade aos jurados e violar frontalmente a correlação, justifica excepcionar a regra da impugnação imediata. Nulidades absolutas dessa natureza superam o óbice da preclusão.

Julgamento não concluído: o que isso significa

O informativo registra expressamente que o julgamento na Corte Especial do STJ não foi concluído. Isso significa que a orientação aqui descrita ainda pode ser alterada até a proclamação do resultado final, e sua aplicação a outros casos deve considerar essa provisoriedade.

De todo modo, a discussão reforça que a formulação dos quesitos deve espelhar fielmente a pronúncia, e a distinção entre nulidade relativa e absoluta na quesitação continua sendo examinada caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 786 do STJ

A má formulação de quesito, com imputações não admitidas na pronúncia, causa nulidade absoluta e justifica exceção à regra da impugnação imediata, afastando-se a preclusão.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 04/03/2026

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Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministro João Otávio de Noronha · j. 09/02/2026

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Acórdão

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Acórdão

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Acórdão

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DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUNAL DO JÚRI. AUSÊNCIA DE QUESITO. NULIDADE NÃO SUSCITADA DURANTE A SESSÃO DE JULGAMENTO. PRECLUSÃO. TESE NÃO ALEGADA EM DEBATE. AUSÊNCIA DE VÍCIO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento ao recurso especial, no qual se alega nulidade absoluta na quesitação realizada na sessão de julgamento do Tribunal do Júri, por ausência de quesit…

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